Luanda  -  O problema principal com que se debatem muitas companhias mineiras da actualidade é o desaparecimento gradual dos depósitos e a redução dos stocks de matérias-primas. Neste contexto, note-se, a indústria diamantífera não constitui uma excepção.

*António Simões
Fonte: SA

A maioria dos grandes depósitos de diamantes, que hoje em dia estão a ser explorados, foram descobertos na segunda metade do século passado.


Importa realçar que nenhum novo grande depósito foi descobertos durante as últimas décadas.


Neste quadro, ter garantias de recursos para explorar é o mais importante para a actividade de qualquer empresa diamantífera.

Durante o último ano e meio, dois grandes nomes do mercado de diamantes - BHP Billiton e Rio Tinto - decidiram vender os seus activos empregues na exploração destas preciosas gemas por uma razão simples.


Segundo uma apreciação convergente partilhada pelos dois gigantes mundiais da industria extractiva, em termos económicos não se vislumbram perspectivas animadoras de crescimento para o segmento de negócios que gira à volta da produção diamantífera.


Até há pouco, avaliar a real quantidade de recursos diamantíferos brutos em termos mundiais, era uma tarefa quase impossível.

Um dos líderes de mercado - a empresa De Beers - deixou de publicar os seus relatórios sobre reservas e recursos desde o início do ano de 2000.

A Rússia, por seu lado, nunca divulgou esta  informação por entendê-la e tratá-la como segredo do Estado, situação que tem estado, entretanto, a evoluir de forma distinta a ter em conta o desempenho da mais conhecida empresa russa do sector.

Nos últimos anos e já no contexto da globalização que tem na transparência informativa um dos seus pilares fundamentais, a "Alrosa" tem vindo a publicar alguns dados importantes sobre a realidade dos recursos existentes.

De acordo com a primeira avaliação feita segundo os padrões de registo russos já publicada, as reservas e os recursos da "Alrosa" são de 1.300 milhões de quilates de diamantes brutos, com uma média de 0,81 quilates por tonelada.

Em 2012, "Alrosa" concluiu a auditoria dos recursos de acordo com o código JORC.
Os principais requisitos para uso e aplicação das normas deste código são transparência, materialidade e competência. ‘Transparência’ exige que o leitor do Relatório Público receba informação suficiente, clara e inequívoca, para o compreender e não ser induzido a erros.


‘Materialidade’ requer que o Relatório Público contenha todas as informações relevantes que os investidores e seus assessores profissionais normalmente necessitam, e que esperam encontrar no relatório, permitindo-lhes um julgamento racional e balanceado sobre a mineralização relatada. ‘Competência’ requer que o Relatório Público seja baseado em trabalho de responsabilidade de pessoa devidamente qualificada e experiente, sujeita a um código de ética profissional que possa ser devidamente monitorado e fiscalizado.


Segundo os resultados de um estudo realizado por consultores independentes sob a supervisão da Micon International ("Micon"), as reservas de diamantes brutos da "Alrosa" compreendem 631 milhões de quilates, os recursos totais (incluindo as reservas supracitadas) - 968 milhões de quilates com uma média de 1,31 quilates por tonelada.

A avaliação de recursos da JORC é inferior aos números achados pelos padrões russos, o que se explica pelo facto de não ter contabilizado depósitos novos e promissores, que foram descobertos pela Alrosa há  pouco tempo.


Nos últimos anos, a companhia produziu cerca de 34,5 milhões de quilates de diamantes brutos por ano. Assim, e mantendo os actuais níveis de produção, a empresa russa  tem a garantia de recursos minerais para os próximos 35-40 anos, não contando com as novas pesquisas mineiras.


 A "Alrosa" tem, entretanto, desenvolvido um trabalho intensivo com vista à reprodução da base de recursos minerais. Anualmente a empresa procura aumentar as suas reservas, ou pelo menos, compensar o que foi extraído do solo.


Em 2012, por exemplo, produziu 34,4 milhões de quilates de diamantes, enquanto as reservas cresceram para mais de 35 milhões de quilates.



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