Londres – Os atrasos nas emissões de dívida pública e na abertura da bolsa são "frustrantes" para os investidores e "não ajudam Angola a melhorar a imagem de um país manchado pela corrupção e má gestão financeira", escreve a Economist Intelligence Unit (EIU).

Fonte: The Economist
De acordo com uma análise da unidade de estudos da revista britânica The Economist, o recente adiamento da emissão de dívida de mil milhões de dólares, prevista primeiro para este ano, e adiada para 2014 ainda com um valor por confirmar, é uma má notícia para os investidores.

"A velocidade e a subitaneidade com que o Governo parece mudar de ideias relativamente às políticas e ao lançamento [da emissão de dívida pública e da criação da bolsa de Luanda] é frustrante para os investidores e não envia uma mensagem particularmente positiva sobre a sua competência e planeamento", escrevem os peritos numa nota aos clientes, a que a Lusa teve acesso.

As autoridades, acrescenta o texto, "dizem que estão empenhadas na transparência e responsabilização, mas os adiamentos e mudanças sugerem o contrário".

Em causa está o adiamento da emissão de dívida de mil milhões de dólares, prevista para este ano, e que na quinta-feira passada foi oficialmente adiada para o próximo ano, com um valor ainda a definir, de acordo com declarações do ministro das Finanças, Armando Manuel, que argumentou com "fatores internos" e a necessidade de estar tudo preparado para estas operações financeiras.

Na nota aos clientes, a EIU lembra que "esta não é a primeira vez que o país adiou" a emissão de dívida, que chegou a estar prevista primeiro para 2009, e depois para 2011, o mesmo acontecendo com a bolsa de Luanda, que foi anunciada pela primeira vez em 2006.

De resto, os técnicos lembram também que o Fundo Soberano de Angola, anunciado "com muita fanfarra em Outubro do ano passado", demorou "mais de oito meses a ver os regulamentos publicados e quase um ano depois da implementação, ainda não começou a investir".

Em Fevereiro, em comunicado enviado à agência Lusa pelos Serviços de Apoio da Presidência da República, salientava-se que Angola se estrearia em 2013 na emissão de títulos de dívida pública, no valor de mil milhões de dólares (cerca de 735 milhões de euros).

A emissão constava do Plano de Endividamento para 2013, que contemplava ainda emissões de Obrigações do Tesouro na moeda nacional (kwanzas) para capitalização do Banco Nacional de Angola no montante de 380 milhões de euros.

Na segunda-feira, a agência de notação financeira Moody's emitiu um Relatório Especial no qual colocava Angola como um dos seis países que iriam fazer emissões de dívida nos próximos anos.

"Identificámos seis países na África subsaariana que acreditamos vão iniciar a emissão de dívida pública nos mercados internacionais nos próximos anos", afirma a Moody's no documento a que a Lusa teve acesso, especificando que a lista inclui Angola, Moçambique, Camarões, Quénia, Tanzânia e Uganda, e que cada um destes países deverá experimentar este instrumento de financiamento com pelo menos 500 milhões de dólares, quase 370 milhões de euros.



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