Washington  – O novo conselho de administração da Sonangol revela-se empenhado em resgatar  57 milhões de euros que a sua antiga PCA, Isabel José dos Santos transferiu “injustificadamente” para uma conta offshore no Dubai, pertencente  a  sua empresa privada Esperanza.  A operação foi feita a partir de uma conta da  petrolífera estatal no Banco BIC de Portugal, dias depois de ela ter sido exonerada pelo  Chefe de Estado angolano, João Lourenço.
 
*Paulo Alves
Fonte: Club-k.net
 
 Nova administração quer  o dinheiro de volta 
 

A Sonangol escreveu a Isabel dos Santos para que ela justificasse as razões que a levaram a fazer a transferencia, mas  até ao momento ela não  respondeu.  Paralelamente, e   na ausência de uma  resposta, direção da petrolífera estatal envidou por outras démarches que foi escrever para o PCA do BIC de Portugal e ao Governador do Banco Central de Portugal. 
 
 
Na Carta, a estas duas entidades, segundo soube o Club-K,   o PCA da Sonangol, Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira solicitou esclarecimentos tendo questionado como as autoridades reguladoras de Portugal autorizaram a transferência de Isabel dos Santos para uma conta no Dubai, numa altura em que ela já  estava desprovida  de  competência para   movimentar as contas da empresa por conta da sua exoneração do cargo. 
 
 
Há cerca de 14  dias, uma delegação da Sonangol, chefiada pelo PCA,  Carlos Saturnino deslocou-se a Lisboa para contactos  físico  com às autoridades tendo em conta que transferência - dos 57 milhões de euros -   é considerada ilegal e  o processo do seu resgate  iniciará em Portugal. A delegação regressou à Luanda, na passada terça-feira (12). 
 
 
Das constatações, a Sonangol  concluiu  que a operação dos “57 milhões de euros” foi feita por Isabel dos Santos,  feita num dia em que a mesma ficou no seu gabinete até as 22h e foi assessorada   pelo ex- administrador  Sarju Raikundalia e por um financeiro  Alcides Andrade. Este último é um ex-quadro da ESSO levado a Sonangol  pelas mãos do ex-administrador  Edson de Brito Rodrigues dos Santos.
 
 
O  novo conselho de administração da Sonangol descobriu    também que desde que foi nomeada pelo seu pai, José Eduardo dos Santos,  em Junho de 2016, a ex-PCA Isabel dos Santos transferia todos meses 10 milhões de euros   da conta da petrolífera estatal, em Angola para um outra da empresa EFACEC, em Portugal. 
 
 
A EFACEC é a  empresa portuguesa na qual Isabel dos Santos detém 66,1%  desde Junho de 2015. As transferências foram justificadas, anteriormente por escrito,   como destinadas a conclusão de pagamento  de uma prestação de serviço que esta   empresa  terá prestado a Sonangol.  Contudo, altos funcionários da petrolífera angolana  confirmaram  á actual administração que de facto a Sonangol tinha dividas com a EFACEC mas que foram todas liquidadas   quando ainda era o  PCA,  Francisco de  Lemos José  Maria.  
 
 
A Sonangol detetou ainda outros excessos de Isabel dos Santos tal como a injustificada  quantia  de um milhão de dólares gastos,  como despesas de pessoal para uma viagem que ela e o seu grupo efectuou à Londres, em suposta missão de serviço.   Foram  também descobertos  empréstimos que os antigos administradores Eunice Paula Figueiredo Carvalho e Edson Santos faziam  à companhia. Tão logo soube da descoberta, a ex- administradora, Eunice  Carvalho   deu baixa na clinica girassol em Luanda. 
 
 
Isabel dos Santos não  respondeu ainda de forma oficial a Sonangol, porém, quando soube que estavam a ser realizadas auditorias  às contas da empresa, recorreu as redes sócias para insinuar uma suposta perseguição  nesta empresa, acompanhada com interrogatórios. 
 
 
"Este procedimento é ilegal. Só as autoridades judiciais ou policiais podem fazer interrogatórios. É preciso respeitar o direito dos trabalhadores", escreveu Isabel dos Santos, acrescentando, sobre os colaboradores que estarão a ser despedidos, que muitos "recentemente largaram outros empregos para integrarem a Sonangol, porque acreditaram no país e queriam ajudar Angola a crescer".


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