Luanda - O músico angolano Lulendo vai apresentar o novo álbum "Mwinda", que fala da vida em Angola e de África, esta quarta-feira, no Studio de L'Ermitage, em Paris.

Fonte: Lusa

"Mwinda", que significa luz, é o quarto disco do cantor, autor e compositor, que escolheu para título do álbum uma palavra em kikongo, uma das línguas nacionais de Angola, que "está quase a desaparecer" e para lembrar as suas origens de mukongo, do povo bakongo, um grupo étnico banto.

 

"Mwinda significa a luz porque o continente africano atravessa um período muito difícil. A melhor maneira de clarear esse continente é de acender a luz na cabeça das pessoas para refletir mais e achar soluções para esse continente porque o povo africano permanentemente tem conflitos que o impede de bem aproveitar esse continente que é tão rico", explicou.

 

O disco fala "da vida dos angolanos, dos africanos e de África" porque "falar da beleza de Angola e da beleza de África" é para o músico "uma forma de contribuir para apagar o pessimismo que está na cabeça da juventude africana", mas também aborda os problemas que enfrentam, por exemplo, as vendedoras ambulantes em Luanda.

 

"Chamei a uma das músicas Engarrafamento. Engarrafamento não quer dizer engarrafamento das cidades, não. É engarrafamento da vida. Quando tem engarrafamento, os carros estão parados e essas mulheres aproveitam para vender as mercadorias que elas têm", descreveu.

 

Além de "Engarrafamento", o álbum conta, por exemplo, com o tema "Azul e Branco" inspirado nos candongueiros, "aqueles autocarros que circulam em Luanda a uma velocidade e muitas pessoas morrem com isso".

O disco tem, ainda, as músicas "Mwinda" e "África Meu Amor", gravadas com Tony Allen, um ícone da música nigeriana e co-fundador do 'afrobeat'.

Foram necessários dez anos desde o último disco, "Soul Africa" (2008), e "uma viagem iniciática" a Angola, Brasil e Portugal para que Lulendo lançasse o novo trabalho que sorveu influências de todos os sítios por onde passou.

"Queria parar um bocadinho para fazer um tipo de exame de consciência do meu trabalho e também saber como me posicionar como angolano kikongo bacongo no concerto dessa África de hoje. A música tradicional existe mas o mundo não espera ninguém. Não podemos fazer as coisas à toa. Eu gosto de fazer alguma coisa que significa qualquer coisa na sociedade onde eu vivo", afirmou.

Nas onze músicas do disco, é constante o som do quissange, um instrumento que ele próprio fabrica no seu atelier em Paris e que "é uma espécie de piano tradicional com uma caixa de ressonância e teclas metálicas".

"Eu realizo os instrumentos no ateliê para compor as minhas músicas. Foi a minha vontade de tocar esse instrumento que me deu a força de aprender. Encontrei vários músicos tocadores de quissange, mas a pessoa que me deu mais força foi o meu avô. Ele disse-me: "Meu filho, você não pode aprender com uma pessoa, você tem que imaginar, imitar, ver e criar a sua própria força e forma de tocar este instrumento", recordou.

Além de França, Lulendo quer apresentar o disco a Portugal, Brasil e Angola, os países que o inspiraram na escrita e composição de "Mwinga".

Nascido em Maguela do Zombo, no Uíge, em Angola, Lulendo foi para Paris em 1982 para fugir da guerra, e começou a colaborar com artistas africanos, como os congoleses Evoloko Jocker e Kester Emeneya, Sam Mangwana e o saxofonista camaronês Manu Dibango.

Em 1994, o cantor foi finalista do concurso Prix Découvertes RFI e cinco anos depois lançou o primeiro single "Lulendo".

O primeiro disco foi editado em 2000, "À qui profite le crime?", um grito de revolta e de esperança face ao drama da guerra civil em Angola e, em 2001, fez a primeira parte da brasileira Bebel Gilberto no Olympia, em Paris, e também do cantor francês Yannick Noah na mesma sala.

Em 2005 - ano em que animou ateliês de música no festival Banlieue Rythmes, no Senegal - Lulendo editou o disco "Angola", no qual realizou uma viagem musical entre o norte e o sul do país.

Em 2007, o intérprete gravou "Live Sessions", com temas dos álbuns anteriores e em 2008 lançou o terceiro disco "Soul Africa".

 



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