Luanda - O Deserto de Sahara é um Mar enorme de areia que se situa à Norte da África, servindo- se de linha de referência entre as duas partes distintas do Continente Africano, em termos de raças, etnias, culturas e caracteristicas geoclimáticas. O Norte da África é actualmente habitado, na sua maioria, por comunidades da raça branca, de etnias árabes, que pertenciam aos grandes Impérios da Persia, da Grécia e do Otomano-turco. Esses Impérios, em referência, dominavam o Médio Oriente, disputando vastos territórios, que se estendiam da Macedonia, ao Norte da África, até à Cidade da Constantinopla, que era a Capital do Império Bizantino. Repare que, o Império Romano travara Guerras violentas em torno do Mar Mediterrâneo, ter tomado o Norte da África, introduzindo a Civilização Romana, muito antes da expansão Árabe.

Fonte: Club-k.net

Nessas Guerras violentas, da conquista de territórios, as Comunidades Negras, nativos do Norte da África, eram alvos principais, apanhadas no cruzamento do fogo, forçadas a emigrar-se ao Sul do Deserto de Sahara, numa longa odisseia. Nesta cruzada de perseguição constante através do Sahara, os pretos eram apanhados, vendidos e traficados para a Persia e Europa, onde serviam de mão-de-obra barata, na qualidade de escravos. Por isso, o «sangue negro» é visivel no Médio Oriente, na África do Norte, e no Sul da Europa, onde as «gazelas morenas», de descedência negra, traficadas por comerciantes árabes, eram objectos do encanto e de delícias exòticas da sexualidade, concorridas pela classe alta da nobreza e do clero, durante a Idade Média.

De acordo com dados históricos, antropológicos e arqueológicos, revelam que, o Norte da África tivera sido o lugar onde, há cerca de 200 Mil Anos, os Homo Sapienstiveram a sua génese, e donde encaminharam duramente para outros continentes, em busca de subsistência e habitabilidade. A descoberta da Costa Atlântica Africana pelos navigadores portugueses intensificava o trafico de escravos negros, que eram embarcados em navios, pelos comerciantes europeus, com destino à Europa e ao Continente Americano, onde reside actualmente numerosas comunidades afro- americanas.

Embora o Continente Africano tivesse sido o «berço da humanidade», mas ela continua a estar no limiar do progresso, ficando para trás de outros povos do mundo, que têm o dominio da tecnologia e de conhecimentos cientificos. Os povos que originaram da África e deslocaram-se aos outros continentes, tiveram a capacidade de dominar rapidamente as técnicas modernas e os conhecimentos mais avançados, que lhes permitiram alcançar cedo a civilização e voltar ao berço da humanidade na posição de superioridade. Que tivera permitido, através da tecnologia, virem colonizar, oprimir e explorar os Nativos da África, que ficaram no Berço, dotado de imensos recursos naturais.

Todavia, é curioso notar que, a África Negra, que se situa a Sul de Sahara, é menos avançada em relação ao Norte da Africa, que é habitado actualmente pela raça branca, da origem Árabe. Em toda parte do Mundo, o fenómeno de subdesenvolvimento e de assimétrias sociais profundas entre as comunidades negras e as comunidades brancas é bastante notório. Mesmo nos países onde a maioria da população é composta pela raça negra, mas constata-se o mesmo fenómeno de disparidade abismal entre as comunidades negras e as comunidades brancas ou méstiças. Os Pretos sempre vive na miséria, subjugados e subalternizados, tratados de cidadãos de segunda ou de terceira classe.

 

Acontece que, a elite politica negra, que estiver no poder, sempre estará inclinada ao lado dos brancos e dos méstiços, em detrimento da sua raça. Ao passo que, a elite branca méstiça, que estiver no poder, sempre apostará na sua raça, oprimindo e explorando a raça negra. Portanto, a raça negra é inimiga de si própria. Pois, ela discrimina e desvaloriza seu próprio povo, oprime-o, explorando-o e mantendo-o no estado de pobreza e de atraso. Incutindo nele o obscurantismo, o complexo de inferioridade e o conformismo.

De facto, o «conformismo», de manter-se no estado de pobreza e de atraso, tornou-se uma patologia psicológica, que corrói a consciência do homem, como instrumento potente de discrminação das comunidades negras, espalhadas pelo mundo inteiro. Adoptando, neste respeito, a lógica de dois pesos e duas medidas. Para dizer que, o que é bom e sagrado para o bem-estar das comunidades brancas, não é aplicado da mesma forma e com o mesmo rigor ao bem-estar das comunidades negras. Há um padrão de vida aceitável para os brancos, e o outro padrão de vida (inferior), que é reservado aos pretos, e aceite como tal. As comunidades africanas, sobretudo da Africa Negra, aceitam com naturalidade as assimétrias sociais existentes entre elas e as comunidades brancas; pensando que, a condição de pobreza e de atraso, é seu destino, como atributo de Deus.

Parece me que, os dirigentes africanos, da raça negra, conformaram-se com este preconceito, e ajudam a induzí-lo e perpetuá-lo na mente das populações negras. A titulo de exemplo, uma vez, o Presidente José Eduardo do Santos, defendia a tese de que: “A pobreza é antiga em Angola, desde os nossos antepassados; ela faz parte da vida das comunidades indigenas; por isso, não tenho nada a ver com isso.” Fim de citação.

Na realidade este preconceito, de carácter racista, é dominante na sociedade angolana e manifesta-se em todos os sectores chaves, e serve de «linha mestra» para a distribuição da riqueza e do poder politico, económico e financeiro. Ou seja, o sistema racial em Angola, tem origem no sistema colonial português, que assenta no «Estatuto do Indigenato», que estratificava a sociedade angolana, entre brancos, méstiços, assimilados e indigenas. Em função disso, cada grupo social e racial tinha um regime distinto, em termos de garantias, regalias, direitos, obrigações e deveres - perante o poder colonial.

Este introito extensivo, que baseia-se em dados históricos, ajuda-nos a lançar luz sobre a perspectiva actual que visa a mudança de paradigma, que opta pela politica da industrialização da África. O objectivo estratégico desta politica é de tirar maiores proveitos dos recursos naturais do Continente, que ficarão transformados em produtos acabados, e exportados em mercadorias aos mercados internacionais. Este processo passará por via da montagem de indústrias pesadas e fábricas transformadoras, trazidas pelas empresas estrangeiras, dos países industrializados.

Assentará no sistema de contratação externa de serviços especializados e da transferência de tecnológias. Na verdade, a montagem de indústrias de ponta e de fábricas modernas em África poderá ter impactos enormes sobre o mercado africano, como por exemplo: gerar mais empregos; aumentar receitas; transformar localmente as matérias primas; promover o intercâmbio comercial entre os países africanos; aumentar a exportação de mercadorias industriais; reduzir a exportação das materias primas ao estrangeiro; impulsionar a integração económica africana; e reduzir drásticamente os niveis de dependência económica.

 

Por outro lado, sejamos cientes do facto de que, o sistema da deslocação das indústrias e fábricas ao estrangeiro, aos países menos desenvolvidos, como África, tem como objectivos económicos, por parte dos investidores, o seguinte: A redução máxima de custos de trabalho e a maximização de lucros. Em geral, este sistema tem maior incidência sobre os salários dos trabalhadores, que ficam reduzidos aos niveis muito baixo; sem afirmar contractos de trabalho e sem proporcionar a segurança social. É uma situação que prevalece hoje na maioria parte dos países africanos, onde os investimentos estrangeiros se transformaram num instrumento de exploração humana.

Os investimentos chineses em Angola, por exemplo, têm o mesmo carácter, da intensificação e prolongação de jornadas de trabalho; pagando salários baixissimos, sem contractos e sem seguros de trabalho. Acontece que, a Lei Geral de Trabalho de Angola defende os interesses da idêntidade patronal, que é composta por dirigentes do partido no poder, que são donos das empresas. Portanto, os lucros ganhos, neste processo da exploração humana, são partilhados entre parceiros chineses e angolanos, em detrimento da classe operária.

Não obstante, desde que haja uma parceria equilibrada, que acautela os interesses das partes, a politica da industrialização da África é fundamental. Pois, ela tem sido a mola impulsionadora da modernização e do desenvolvimento industrial acelerado dos Países Asiáticos, que há poucas decadas tinham económias agrárias. O exemplo mais concreto desta realidade, é a China, que se encontrava no estado de atraso, de uma economia campesina, assente essencialmente na produção agricóla, através do sistema socialista de cooperativas agrárias, sob o controlo absoluto do Estado.

Porém, dentro de poucas decadas, após a introdução da politica da abertura, da liberalização económica, da industrialização e da modernização, a China tornou-se a segunda maior economia do mundo, com capacidades tecnológicas e científicas muito elevadas. De facto, a China tornou-se uma Potência Global, que hoje disputa a líderança do mundo com os Estados Unidos da América. Neste momento a economia chinesa atingiu os niveis muito elevados da industrialização, da modernização, da informatização e da automatização. Estando presente na alta «tecnologia espacial», com capacidades atómicas e nucleares, em pé de igualdade com outras potências industrializadas.

Repare que, a abertura da China ao Ocidente, não limitou-se apenas à montagem de fábricas transformadoras e das indústrias de ponta. Mas sim, aos investimentos maciços nos seus recursos humanos, elevando a qualidade de educação, de ensino e de formação tecnico-professional, em todo o país. Criando Centros de Pesquisas, bem apetrechados. Desenvolvendo técnicas e conhecimentos sofisticados de pesquisas e da acquisição doknow-how. Introduzindo capacidades nos «quadros dotados de inteligências finas»,postos juntos das indústrias e das fábricas especializadas, de modo a estabelecer o intercâmbio de conhecimentos com os parceiros estrangeiros - dentro e fora do país.

Importa notar que, o mundo contemporâneo é bastante complexo. Exige muito saber e astúcia. Para que seja possível alcançar os objectivos estratégicos preconizados. Seria uma ilusão se pensar que, haja a disposição plena de «boa-vontade», de alguém poder conceder de mão beijada os seus conhecimentos técnicos, sem haver contrapartida ou artifício. Dando o facto de que, na época contemporânea, os Estados e as Nações do Mundo estão todos fechados numa concorrência desenfreada, em busca de mercados, de oportunidades, de vantagens e de controlo dos recursos naturais e dos minerais estratégicos. A este respeito, a tecnologia, tornou-se uma mercadoria estratégica dos países industrializados, que lhes permite elevar as suas indústrias aos niveis mais altos, para que estejam em condições de melhorar continuamente o padrão de vida dos seus cidadãos. Ou seja, são económias capitalistas de consumo muito elevado, que requer uma produção de grande escala e fontes abundantes de fornecimentos de matérias primas.

Ou seja, o capitalismo é o regime económico caracterizado pela grande produção, pelo investimento de grande massa de bens, pela propriedade individual dos capitais, e por mercado livre e competitivo. No fundo, o capitalismo é o regime no qual o poder politico está na dependência dos detentores de capitais, com uma influência enorme na feitura das politicas do Estado e na tomada de decisões importantes que vinculam os mercados e afectam a vida da população.

O que quer dizer, qualquer transferência de tecnologias avançadas aos países africanos será sujeita a este regime de cálculo, de dependência e de protecção de interesses estratégicos das potências industrializadas, sob influência da classe dos capitalistas. Esta classe, detentora de capitais, olham para África como um vasto mercado da importação de matérias primas e da exportação das suas mercadorias industriais. Dizendo que, o«sonho africano», da industrialização do Continente, passará por caminhos dificeis e sinuosos. Não será tão facil superar as fragilidades crónicas da África Negra, acima referidas.

Sem ignorar, neste respeito, os três grandes desafios da África: corrupção, má gestão e partido-estado, que dão lugar à marginalização de talentos, à favor da incompetência e da mediocridade. Com o agravante da inexistência de um sistema integrado de infra- estruturas e de vias de comunicação adequadas, em termos de rodovias, caminhos de ferros e ligações aéreas e marítimas entre os países africanos. O mais grave no meio de tudo isso, é a ausência de recursos energéticos desenvolvidos, a altura de sustentar as indústrias pesadas e as infra-estruturas integradas.

Portanto, se as Nações Asiáticas, como a China, ascederam rapidamente à modernização e à industrialização, investindo massivamente nos recursos humanos, dos seus cidadãos, como motor de desenvolvimento e do crescimento económico. Não acontecerá da mesma forma em Africa Negra, onde existe o complexo de inferioridade e o espirito de desvalorização da sua própria raça. Note que, o «patriotismo» é o «factor-chave» que elevou os países industrializados aos niveis em que se encontram hoje.

Enfim, um País como Angola, onde reina a xenofilia, em excesso, dificilmente será viável mudar de paradigma. Em que surja um regime politico no qual a«Angolanidade» seja a pedra-de-toque, assente na cidadania, sem haver a exclusão politica, social, económica, racial e etnico-cultural. Pois, é imperativo valorizar todos os cidadãos angolanos, e buscar os cérebros que estão escondidos e marginalizados nas famílias pobres, que não têm mínimas condições de dar educação adequada aos seus filhos.

Luanda, 16 de julho de 2018

 



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