Lisboa - Recaem sobre a Procuradoria-Geral Adjunto da República junto do Serviço de Investigação Criminal de Luanda (SIC), graves acusações segundo as quais, os magistrados que instruíam o processo (n.º 1848/18) soltaram no passado dia 23 de Dezembro do ano transacto, quatro detidos ligados a um escândalo no banco BPC, depois de contrapartidas matérias. O coronel Beato Manuel Paulo (na foto) é o procurador que coordena a hierarquia de magistrados junto a sessão económica do SIC.

Fonte: Club-k.net

Técnico  que não pagou mantido na cadeia de Viana

Os cidadãos estavam detidos desde o dia 16 de Novembro e pesavam sobre si, acusações de crime de “organização de malfeitores, peculato, corrupção activa”. Eles são Luís Gomes (agente do SIC), Jaime Fernandes (agente do SIC), Osvaldo Kissalala (empreendedor), Gerson Filipe Francisco (técnico do BPC), todos eles já em liberdade. Um quinto elemento, Domiciano Lucas (perito de informática do BPC), não terá aderido ao pacote de “suborno” em troca de liberdade e foi transferido para a comarca de Viana.

 

Segundo apurações este processo foi motivado na sequência de uma abortada investigação que decorriam a volta da Direcção de Tecnologia de Informação (DTI) do banco BPC, onde os funcionários apoderavam-se das chamadas “contas bloqueadas” para proveito individual.

 

Inicialmente, o Serviço de Investigação Criminal havia despachado dois dos seus agentes - Luís Gomes e Jaime Fernandes - para investigar um funcionário da DTI do BPC, Tánio Conde, tal como também uma operação/transferência de 541 milhões de kwanzas feitas por um trabalhador da rede privada de abastecimento Pumangol, Osvaldo Kissalala, a partir de uma conta da Sonangol, em coordenação com um cúmplice bancário.

 

Os dois homens do SIC estavam também a investigar uma transferência tida como ilícita efectuada pelo administrador de sistema da DTI do BPC, Gerson Filipe Francisco, técnico da alta confiança do director deste departamento Mário Nsingui Pedro. Tanto os investigados como os dois investigadores do SIC, estavam por sua vez a ser secretamente monitorizados por um operativo do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE), Adilson Miguel “Ady”, colocado em comissão de serviço no BPC.

 

Ao notar supostas anomalias, o agente do SINSE, Adilson Miguel “Ady”, decidiu fazer uma participação criminal contra os dois investigadores do SIC, Luís Gomes e Jaime Fernandes, por suspeitas de terem abortado investigações de transações bancarias feitas por um administrador de sistema do BPC, Tánio Conde, actualmente suspenso do Banco.

 

Um outro agente do SINSE, identificado apenas por “Heldair”, teria alertado ao director da DTI do banco, Mário Nsingui Pedro, de quem é amigo, que o engenheiro informático, Domiciano Lucas conhecia o ‘modus operandos’ dos esquemas das alegadas “contas bloqueadas”, o que resultou também na sua detenção. As motivações da sua detenção continuam não sendo claras, apesar de ser um quadro descrito como  não sendo da corrente do director  Mário Pedro. 

 

Os mesmos foram detidos numa tarde (a hora do almoço) sem que lhes fossem apresentados notificação de ordem de detenção. O SIC teria também aprendido o computador portátil de Gerson Francisco, onde terão encontrado evidências de transações supostamente feitas por este funcionário e ordenadas pelo director Mário Nsingui Pedro. Na sequência de acertos entre as partes, o SIC deixou de parte o computador de Gerson Francisco.

 

Rumores não confirmados sugerem que o director do SIC Eugénio Alexandre foi posto corrente da situação e teria também se mantido inacto ao tomar conhecimento que no computador aprendido de Gerson Francisco continham informações de operações ilícitas que embaraçavam os responsáveis da direcção do DTI do BPC.


De acordo com o que circula em meios restritos, “mãos invisíveis” da PGR junto ao SIC terão apresentado modalidades para a soltura dos detidos, numa operação em que dois instrutores do SIC, Paulo Botelho e Henrique Uatanga, são citados como não estando alheios.

 

O director da DTI, Mário Nsingui Pedro, cuja esposa é igualmente funcionária da PGR, é insistentemente referenciado como tendo se disponibilizado a desembolsar a quantia de 5 milhões de kwanzas para a soltura do seu homem de confiança, Gerson Filipe Francisco. Para os restantes terão pago quantia inferior. Conforme citado atrás, o engenheiro informático Domiciano Lucas é o único que não teve alguém que pagasse por ele, razão pela qual foi mantido na cadeia.

 

Recentemente circulou em meios do BPC, um e-mail de fonte incerta, cujo conteúdo revela conhecimento de alguns factos, questionando as motivações que levaram o director Mário Nsingui Pedro a pagar pela soltura do amigo Gerson Francisco.

 

“A questão que se prende é a seguinte: como é possível Director Mario Nsingui Pedro pagar apenas para a soltura do técnico Gerson e não aceitar fazer o mesmo pagamento para o técnico Domiciano?”, questiona o autor do correio, acrescentando que “o técnico Gerson foi o mentor da acção na qualidade de administrador do sistema, enquanto que o técnico Domiciano é um mero cúmplice da jogada”.

 

Segundo apurou o Club-K, até duas semanas as páginas dos autos sobre Domiciano Lucas, o único detido, encontravam-se desaparecidas. A equipa da sua defesa terá solicitado esclarecimento das razões que levaram a soltar todos elementos, deste mesmo processo, menos ele. A argumentação dada, foi de que os outros foram soltos mediante uma caução. O assunto tem levantado suspeitas uma vez que não existe em Angola tarifas de pagamento de caução com tarifas “astronómicas”. Contudo, a PGR junto ao SIC, até aqui, não conseguiu apresentar nenhuma cópia. 



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