Sua Excelência Sr. Presidente da República,
João Manuel Gonçalves Lourenço;

Os remetentes desta carta, trabalhadores da Rádio Nacional de Angola, servimo-nos da presente e em suplica para solicitar a urgente intervenção de V/Excia. por forma a se pôr cobro à situação desesperante por que passam os profissionais da maior plataforma de informação e contacto dos povos do nosso imenso país.
Excelência;


A RNA já foi a mais respeitada e o mais acabado modelo de gestão no concerto das empresas, instituições e organismos públicos do país, mas hoje, e por culpa do estado, representado pelo governo, a RNA está a reduzir-se à apenas mais um meio de comunicação como outro qualquer. Sem brio na sua programação e muito distante dos anseios maiores da população e dos ingentes desafios da NOVA ANGOLA, que V/ Excia e o povo almejam.


O azar continua a perseguir a empresa e os seus trabalhadores, ao ponto da emenda ser pior que o soneto. Referimo-nos ao novo Conselho de Administração em funções há mais de um ano e quatro meses.

Trata-se de um Conselho constituído por pessoas insensíveis, tacanhas, gananciosas e que está claramente a enganar o estado, usando mil e um artifícios.

Alguem enganou V/Excia. ao propôr nomes de pessoas sem provas dadas de gestão em lado nenhum, desconhecedoras do sector. Gentes vindas duma falida Air26 ( lembra-se PR, esta mesma Air 26 fazia parte da negociata do famigerado consórcio Air Conexion Express) para gerir a mais respeitada e a mais prestigiada empresa de comunicação do país. Foi um erro nomeá-los. Julgamos que pode ser corrigido.

Agarrado ao dinheiro, este Conselho prefere abortar uma reportagem, uma cobertura de assuntos de estado ou de interesse da população sob alegação da falta de dinheiro.


Por exemplo, quando a Primeira Dama, Dona Ana Dias Lourenço, se deslocou ao Moxico para o lançamento da campanha “ Nascer Livre para Brilhar” , esta gente, insensível como é, menosprezou a dimensão humana dos propósitos daquele acto de cidadania e de estado, não enviando, ao Luena, se quer jornalista experiente para a cobertura, com os colegas do Moxico, daquela actividade conformado num compromisso de dimensão continental. Consequência: aquele acto não teve a cobertura à sua dimensão. Com respeito aos nossos colegas do Moxico, forçamo-nos a reconhecer que estivemos aquém do mínimo exigido . Foi pobre!

Excelência,


Hoje, a cadeia da rede de emissores de todo país está desactivada nalguns casos e noutros está paralisada por falta de combustíveis nos geradores e porque o Presidente do Conselho de Administração em conluio com o seu administrador financeiro decidiu retirar o fundo de maneio à todas as emissoras provinciais, apesar de tal dinheiro ser um direito amparado por lei.


Hoje, a mensagem do governo e dos órgãos de soberania não chega ao destinatário. Em termos de comunicação e informação, mensagem chega, e mal, apenas nas capitais provinciais e em péssimas qualidades de audição. Hoje temos uma RNA CIDADE.


Os profissionais que sempre deram o melhor de si, os que anos a fio nunca viraram costas à casa-mãe estão a ser perseguidos e forçados a abandonar ou a ser mesmo despedidos da empresa, sob alegação de incompatibildades ou duplos vínculos, privando a estação dos seus melhores profissionais. Daí a queda da qualidade dos seus conteúdos. Aos que se encontram realmente nesta ( inconpatíveis e duplo vínculo) situação, tanto a direcção da RNA como o Ministério da Comunicação Social têm estado a fechar-os-olhos.

Numa altura de “crise”, numa decisão que se conforma em desrespeito e desconsideração aos trabalhadores e de AFRONTA ao poder, o Conselho de Administração acabou de comprar uma frota de SETE Jipes Toyota V8 top de gama, num valor global que ronda mais de um milhão de dólares. Quando sabemos haver governantes e dirigentes de órgãos de soberania que até hoje utilizam veículos próprios por “escassez” de dinheiro nos cofres do estado.

A empresa não tem carros suficientes para as reportagens, nem para o transporte dos trabalhadores.


Os trabalhadores da RNA são os que pior ganham comparando com os ordenados dos colegas dos demais órgãos tutelados pelo estado. Um editor na RNA chega a ganhar 90 mil Kwanzas, ao passo que no Jornal de Angola ronda os 550 mil AKZ.

Excelência,


O que está a acontecer na RNA enquadra-se numa acção de clara SABOTAGEM. O partido de Governo, o MPLA, foi alertado desta situação.


A inspecção e outros órgãos devem actuar já, sobretudo, com o foco nas áreas das finanças da empresa, do património e dos recursos humanos e gabinete jurídico, para que o mal não se alastre impunemente como aconteceu no passado.

 



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