Luanda - A jovem Ana Vanuzia Sidraque, 34 anos de idade, diz que já conhece o pai biológico, após décadas de pressão sobre os seus familiares, mas revela que está a lutar para o mais importante. Em entrevista exclusiva, na qual mostra os caminhos que já percorreu para chegar aos ombros daquele que é o mais alto magistrado da Nação, ela diz que pode ser submetida a um DNA para o momento mais esperado da sua vida

*João Francisco
Fonte: O Crime

“Os senhores Miala e Luís Fernando sabem da minha existência”

Quem é a Ana?

Ana Vanuzia Sidraque é uma jovem angolana, nascida em 1985, mãe de cinco filhos, com morada em Luanda e que procura o reconhecimento do seu verdadeiro pai.

 

O que mais lhe inquieta, uma vez que, conforme dizes, a sua mãe falou do seu verdadeiro pai?

O que mais me inquieta é que este longo tempo que eu vivia só, ouvia dizer que este não é o seu pai. E eu vivi com o meu padrasto, a minha família dizia que o meu pai não era quem eu pensava. Fui pedindo explicações sobre quem era o meu verdadeiro pai, os meus tios foram dizendo que o seu pai é um militar chamado João Lourenço.

 

Quem lhe disse que o seu pai é o Presidente da República?

Foi a minha tia Esperança Domingos Sedrique, irmã da minha mãe.

 

Em que ano?

De forma mais directa em 2016.

 

Depois de lhe terem dito quem era o seu pai, o que fez para contactá-lo?

Antes mesmo de saber quem era realmente meu pai, já tentava entender sobre quem era. Então, após a minha tia Esperança me ter contado a verdade, intensifiquei os contactos para o encontrar.

 

Teve algum êxito?

Não. Até ao momento não tive alguma resposta da disponibilidade do meu pai me conhecer ou realizar o DNA.

 

O que já fez de concreto para estar com ele?

Quando o meu pai era ministro da Defesa eu já estive lá, inclusive dormi defronte àquele ministério, mas o sistema de segurança não permitiu que o encontro mais esperado da minha vida fosse realizado. Eu já falei com o sobrinho do meu pai, um primo meu que se chama Doca, trabalha mesmo no Ministério da Defesa, mas também até hoje não consigo nenhuma resposta favorável.

 


E com algumas institucionais do Estado, já falou?

Fizemos sim. Soubemos que o general Fernando Garcia Miala, enquanto Chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado, domina o assunto, também contactámos o senhor Luís Fernando, actualmente Secretário para os Assuntos de Comunicação Institucional e de Imprensa da Casa do pai, mas não há sinal. Sou filha, e não posso fazer o contrário se não conhecer o meu progenitor. Entendo que é normal nesta altura todos tentarem evitar que se chegue ao pai, só por isso vim bater a vossa porta. Não é minha intenção vir a imprensa tratar um assunto que é familiar, mas a minha mãe, como anda desinteressada em me ajudar … mas quero aproveitar enquanto ela está em vida e é com ela que qualquer um pode saber onde e como é que tudo aconteceu.

 

Caso decida reconhecê-la, assumindo a paternidade, o que vai dizer ao Presidente da República?

Obrigado por me ter reconhecido. Diferente do que se pode pensar, eu apenas quero o reconhecimento do meu verdadeiro pai. Só isso.



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