Luanda - O departamento de estudos económicos do Banco de Fomento Angola (BFA) estimou que Angola terá aumentado as dívidas atrasadas ao exterior e prevê a ida aos mercados financeiros no segundo semestre se as condições forem propícias.

Fonte: Lusa


"O único facto negativo relatado na primeira revisão do Programa de Financiamento Ampliado, do Fundo Monetário Internacional (FMI), é um pedido pelas autoridades angolanas, e aceite pelo FMI, de obter uma suspensão ao critério de não acumulação de dívidas atrasadas ao exterior", lê-se na análise do gabinete de estudos do BFA.

 

No comentário, enviado aos investidores e a que a Lusa teve acesso, os analistas do BFA acrescentam que "isto significa que Angola terá tido um aumento, não sendo claro de que dimensão, nas dívidas atrasadas ao exterior" durante o primeiro semestre deste ano.

 

No comunicado do FMI, lê-se que "o Conselho também aprovou o pedido das autoridades para que a não observação do critério de desempenho sobre a não acumulação de dívidas atrasadas ao estrangeiro não fosse considerada" para efeitos da aprovação do programa, o que permite, juntamente com outros critérios, o desembolso desta tranche.

 

Assim, o FMI aceitou que Angola tenha acumulado, ou pelo menos mantido, as dívidas atrasadas aos credores externos, não considerando esse facto para efeitos de cumprimento dos requisitos que permitem a primeira avaliação positiva sobre o programa de assistência financeira.

 

Na semana passada, o FMI divulgou o primeiro relatório sobre o acompanhamento do programa de financiamento ampliado, revelando que aprovou o desembolso de 248,15 milhões de dólares (219,7 milhões de euros), o que eleva para 1,24 mil milhões de dólares o total concedido pelo FMI ao abrigo deste acordo.

 

O programa angolano de reformas apoiado pelo FMI, aprovado em dezembro, contempla um valor de 3,7 mil milhões de dólares para restaurar a sustentabilidade orçamental e externa da economia angolana e estabelecer os fundamentos para um crescimento económico sustentável, diversificado e liderado pelo setor privado, segundo o texto divulgado.

 

"A revisão estava originalmente calendarizada para o final de março, mas acreditamos que o FMI tenha querido esperar pela confirmação de que Angola implementaria um Orçamento Geral do Estado Revisto, de modo a poder fazer a avaliação com mais informações", acrescentam os técnicos do BFA.

 

De acordo com o banco, "o conteúdo da comunicação indica uma continuada coordenação entre o FMI e as autoridades angolanas, com elogios à prudência orçamental manifestada com o OGE Revisto, e sem tom crítico por parte da organização sedeada em Washington".

 

Segundo o BFA, "caso haja uma melhoria nas condições financeiras dos mercados internacionais (nomeadamente, um regresso de mais apetite por risco), deverá haver um regresso de Angola à emissão de Eurobonds na segunda metade de 2019", o que permitia reduzir as necessidades de financiamento do país e aprofundar o programa de diversificação da economia, ainda muito assente no setor petrolífero.

 

"Apesar da volatilidade e fragilidade da situação angolana, quer na sua dependência do mercado petrolífero, quer na sua difícil conjuntura interna, existe ainda interesse da parte dos investidores, o que se nota pela evolução das Eurobonds angolanas no mercado secundário", concluem os analistas.

 

 



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