Luanda - O Presidente da República de Angola, João Lourenço, vai ser anfitrião de uma cimeira quadripartida que, na próxima quarta-feira, junta em Luanda também os líderes da República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda.

Fonte: Lusa

Nesta cimeira quadripartida serão assinados "instrumentos que consagram os entendimentos alcançados entre o Uganda e o Ruanda, após as diligências encetadas por Angola, coadjuvada pela República Democrática do Congo (RDC)" - segundo uma nota da Cidade Alta, onde fica o palácio presidencial.

 

Esta é a segunda cimeira entre os quatro países que Angola acolhe no espaço de um mês - já a 12 de julho, João Lourenço recebeu os homólogos Félix Tshisekedi RD Congo), Paul Kagame (Ruanda) e Yoweri Museveni (Uganda).

 

Nesse encontro, os quatro chefes de Estado condenaram a persistência de grupos armados no leste da RDCongo que são obstáculo ao processo de paz em curso no país, ao mesmo tempo que desestabilizam os países vizinhos.

 

Os líderes saudaram, contudo, os esforços levados a cabo pelas autoridades da RD Congo na pacificação do território nacional, mas condenaram a evolução e persistência dos grupos armados.

 

O presidente Félix Tshisekedi já considerou que a violência na província de Ituri "é uma tentativa de genocídio". Os combates entre os vários grupos armados no nordeste da República do Congo já mataram cerca de 1900 pessoas, nos últimos dois anos - segundo a Kivuu Security, projeto conjunto da organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch e o Grupo de Investigação sobre o Congo da Universidade de Nova Iorque.

Diálogo franco para consolidar a paz

Em julho, os quatro presidentes fizeram ainda questão de destacar o "diálogo permanente, franco e aberto" que se deve desenvolver quer a nível bilateral entre os Estados da região, que no plano multilateral, para a consolidação da paz e segurança, como premissas fundamentais para a integração económica.

Outra das decisões do encontro de julho foi dar prioridade à resolução de quaisquer diferendos entre os respetivos países através de meios pacíficos e pelos canais convencionais, "no espírito de irmandade e solidariedade africanas".


Na cimeira, os quatro líderes saudaram a vontade do Uganda e do Ruanda em prosseguir o diálogo com vista a encontrar uma solução para o diferendo existente entre os dois Estados vizinhos da Região dos Grandes Lagos.

 

Nessa ocasião, Angola ficou incumbida de acompanhar o diferendo entre Uganda e Ruanda, tendo o apoio da RD Congo. Este papel de moderador atribuído a Angola levou o ministro das Relações Exteriores aos três países que estarão quarta-feira em Luanda. Manuel Augusto dos Santos foi portador de uma mensagem de João Lourenço para os seus homólogos.

 

Na cimeira de julho, o chefe do Estado angolano tinha afirmado que não esperava resolver todas as questões dos Grandes Lagos, mas que "muitos problemas poderão ter dias melhores num futuro breve". Entre eles a segurança na fronteira entre os três países e as relações entre Ruanda e Uganda.

Uma região de conflitos

A região dos Grandes Lagos Africanos enfrenta historicamente conflitos armados. Além da instabilidade na República Democrática do Congo há também o conflito entre os vizinhos Uganda e Ruanda que vivem em tensão depois das forças armadas ruandesas fronteiriças atuarem com o pretexto de atividades de espionagem pelos ugandeses.

 

Com base no que aconteceu no passado - nomeadamente o genocídio no Ruanda e a longa guerra na RD Congo, foi instituída sob os auspícios das Nações Unidas a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

 

A atuação de Angola na esfera dos Grandes Lagos já tinha sido enaltecida em maio pelo novo enviado especial das Nações Unidas para aquela região africana. Huang Xia pediu ao presidente João Lourenço que aumentasse a sua liderança na região.

Angola, um parceiro chave da ONU

"Sabemos que é uma região particularmente frágil, onde há sempre tensões, nos países e entre os países, então o enviado especial pediu a Angola para exprimir, ao mais alto nível, a sua liderança internacional para dinamizar a Conferência Internacional dos Grandes Lagos, para que efetivamente as populações dessa região possam ter desenvolvimento inclusivo, de acordo com a Agenda 2030 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável", disse então o coordenador residente das Nações Unidas, Paolo Balladelli.

 

Baladelli frisou ainda que Angola é um parceiro-chave das Nações Unidas no que diz respeito à paz, segurança e estabilidade na região.

 

A Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (ICGLR) considera que é necessário "o comprometimento dos Estados em manter a paz e o diálogo, bilateralmente e multilateralmente". E entende que "a moderação angolana pode representar um meio de incentivar os demais países da região a adotarem uma abordagem diplomática e institucionalista para a resolução das controvérsias".

 

A organização é composta por doze Estados: Angola, Burundi, Congo Brazaville, Quénia, República Centro Africana, República Democrática do Congo, Ruanda, Sudão, Sudão do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

 



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