Luanda - O Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Viana, Luanda, é acusado de supostamente “forjar” crimes para extorquir dinheiro de cidadãos presumivelmente criminosos, na maior parte dos casos, que resultam em detenções, buscas e capturas, mesmo sem mandatos ou notificações da Procuradoria Geral da República (PGR), que justifiquem acusações formais para o efeito.

Fonte: Club-k.net
As pessoas que se queixaram do SIC ao Club-K, alegam terem sido falsamente acusadas por diversos crimes e detidos em prisão preventiva, onde para a soltura deste foram obrigados a pagar dinheiro que varia entre 50 a 300 mil kwanzas, mesmo após terem sido provadas a sua inocência, em alguns casos.

Outrossim, muitos vêm-se forçados a assumir a autoria de crimes alheios -não cometidos por eles-, devido a fortes interrogatórios, tortura física, pressão psicológica e ameaça de morte, onde a solução de se livrar da prisão é aceitar o inaceitável acto delituoso punível por lei.

As detenções por parte de alguns agentes do SIC em Viana tornaram-se um negócio criminal organizado, disseram os entrevistados do Club-K durante a investigação jornalística feita naquela municipalidade, com base nas denúncias. 

As revelações denunciadas afirmam que, os arguidos detidos por circunstâncias diversas por alguns agentes do SIC-Viana são vilipendiadas de acordo a natureza do crime e o interesse do afectivo actuante que estiver no encalço do processo crime, de modos a “negociar” com familiares dos encarcerados para um acordo compensatório que gratifique a soltura do preso, sem ser ouvido oficialmente, nalgumas vezes, pelo Ministério Público.

“O meu filho foram lhe buscar as 4 horas da manhã quando se preparava para ir ao serviço, sem nenhuma notificação nem mandato de busca e captura. O SIC rompeu a porta da casa dizendo que tinha comprado uma motorizada roubada, mas o meu filho nem sabe conduzir mota, vai trabalhar sempre de táxi. Infelizmente tivemos que pagar 100 mil kwanzas para sair da cadeia cinco dias depois”, confirmou mãe de uma das vítimas, falando no anonimato.

Uma das fontes posto recentemente em liberdade depois de 15 dias nos “calabosos” numa das esquadras daquele município, afirma: “os operacionais do SIC detiveram-me sem culpa formal, quando fui encontrado a passear por volta das 22h no sítio de vários assaltos à mão armada, no bairro da Estalagem Km 12, famosa rua da escola-8”. Nos desabafos ao Club-K, o também estudante universitário alega ter sido amarrado e torturado com “chibatadas” de catana para confessar um presumível crime por si nunca cometido. Todavia, a sua liberdade custou-lhe 80 mil kwanzas.

Um outro jovem de 35 anos cujo nome ocultamos propositadamente, alega que foi confundido com um suposto meliante há muito procurado pelo SIC no bairro da Boa Esperança KM-14. Para o desespero, o cidadão ora detido, foi acusado de vários crimes que o mesmo diz “nunca havia cometida”. Por sua vez, teve de pagar um valor de 150 mil kwanzas para ver o sol nascer, oito dias depois na cela.

De acordo as denúncias, os crimes alegadamente simulados pelo SIC junto dos cidadãos detidos, são assistidos contra estes com torturas físicas e pressão psicológicas para os forçar assumir a autoria dos crimes, mesmo não cometidos, no sentido de os operacionais do SIC relatarem às autoridades do Estado e sociedade geral, a eficiência das suas operações contra a criminalidade.

Para repreensão dos reclusos de modo a falarem a verdade ou assumir autoria de crimes praticados ou não, os agentes do SIC usam objectos contundentes como martelo, catana, isqueiros para queimar parte do corpo, como dedos, alicates, mangueiras às vezes até mesmo arma de fogo como instrumentos de persuasão.



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