Luanda - A Holding do MPLA para os negócios, a Gefi S.A (Gestão e participações financeiras), que entra na sociedade de quase uma centena de empresas, permite aos cofres do partido um encaixe financeiro mensal de cerca de cinco milhões de dólares, segundo revelou ao VALOR um alto responsável do Comité Central, que pediu anonimato “por disciplina partidária”.

Fonte: VE

No entanto, esse valor “por vezes cai para quatro milhões de dólares, por causa dos actuais ‘apertos’ financeiros, que também afectam as empresas participadas”, explica.



A entrada desses montantes nos cofres centrais do partido maioritário não se reflectiram sempre em entradas nas estruturas de nível médio e de base (comités provinciais, municipais e comunais). Ao que apurou o VALOR esse quadro só seria alterado a partir de 2004, quando Mário António assumiu a presidência do conselho de administração do grupo.


De acordo com a fonte, enquanto a holding esteve sob gestão da malograda Maria Mambo Café, “o partido praticamente não beneficiava, ficando o dinheiro nas mãos de alguns eleitos”. Situação que ocorria, como esclarece, por causa “do grupo de pressão que segundo a mesma fonte escolhia os beneficiários entre os quais alguns empresários falidos por má gestão”.


Com a chegada de Mário António, o poder do “grupo de pressão” seria esvaziado. “Ele revolucionou a Gefi e com isso também impulsionou o funcionamento das estruturas do partido, que começaram a encaixar dinheiro regular para salários, consumíveis e meios de transporte”, reforça o mesmo respon- sável, que se diz “satisfeito” com o trabalho do PCA da empresa que sustenta o MPLA.


Questinada sobre o facto de o conglomerado não divulgar resultados, a fonte responde que a Gefi “está na penumbra”, justamente por não divulgar os resultados. “Mas trata-se de um poder e alternativa que outros partidos não têm”, acrescenta, atribuindo a essa “filosofia empresarial do MPLA” à qualidade de vida “aceitável” dos funcionários do partido em quase todo o país. “Se for só pelo poder financeiro, as coisas estão de tal forma estruturadas que o par- tido há-de ganhar sempre os embates eleitorais”, compara.

 

A gigantesca holding entra na sociedade de quase uma centena de empresas entre as quais a petrolífera estatal Sonangol, onde detém 1%. Na mineração, a influência alarga-se aos diamantes. Na hotelaria, possui 20% do Hotel Presidente, 51% no Hotel Mayombe, etc.

 

Tem ainda outras participações em unidades hoteleiras como o Trópico, Tivoli, e o Katequero, em Luanda.


A Gefi, cujo PCA “despacha directamente com o Presidente João Lourenço”, como refere a fonte, entra também no controlo de unidades industriais, como na maior cervejeira do país, a Cuca, onde através da Soba (Sociedade de Bebi- das de Angola) detém 25%. A Soba é uma sociedade da francesa Brasseries International holding (Bih), pertencente ao Grupo Castel.


Os negócios do ‘braço empresarial e financeiro’ do MPLA também estão presentes na banca. No Sol, por exemplo, é sócio maioritário com 55%, cabendo 45% a outros dignitários do MPLA, como o actual governador do Kuando-Kubango, Júlio Bessa, que participa do ‘bolo’ com 5%.


Já no Banco Comercial Angolano (BCA) possui apenas 1,8%, ao passo que os investidores sul-africanos do grupo Absa possuem 50%.


Nesta sociedade, entram igualmente “com fatias iguais Julião Mateus Paulo ‘Dino Matross’, os deputados Salomão Xirimbimbi, Isaac dos Anjos e o professor França Van-Dúnem”.

Não menos importante, além da construção civil e do imobiliário, é a presença da Gefi na aviação. Através da Planar detém 51% da Fly 540. Na comunicação social, o destaque vai para a participação nas rádios comerciais de Cabinda (60%), 2000, na Huíla (75,50%), na Morena de Benguela (80%). Na Luanda Antena Comercial (LAC) participa no capital com 60% e na ‘máquina de propaganda’, a empresa de marketing Orion, responde por 73%.

As participações alargam-se à segurança com duas empresas: a Socorro e a Sambiente, além de outros negócios nas pescas com a Epata Fishing e, na consultoria, com a Sansul.

ORIGEM DA EMPRESA

Segundo narra a fonte que vimos citando, oficialmente a Gefi surgiu a 21 de Setembro de 1992, mas já estava prevista antes dessa data. “Enquanto o ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foi à Rússia estudar, os outros correligionários foram beber da sabedoria do Ocidente”, sendo estes que “estiveram na origem da empresa, para que o partido se demarcasse dos negócios do Estado”.


A Gefi surge assim “da necessidade de o MPLA ter dinheiro, l o n g e d a dependência das dotações do Orçamento Geral do Estado, manifestamente insuficientes para movimentar a ‘maquina’ partidária”, descereve a fonte, citando nomes como do antigo e malogrado ministro das Finanças Carlos Rocha ‘Dilolwa’, entre os que estiveream na génese da criação dos negócios do partido maioritário.


Além da Gefi, o MPLA conta com um outro ‘braço’ social e comercial, a Fundação Sagrada Esperança, dirigida por Roberto de Almeida. A fundação gere, entre outros, o Centro de Conferências de Belas (Ccb) e o Complexo turístico Futungo II.



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