Lisboa – A decana da faculdade de ciências politicas  da Universidade Agostinho Neto, Luzia Milagre afastou há poucas semanas,  o acadêmico Paulo Conceição João Faria e ao mesmo tempo, o comunicou, por escrito, que não irá renovar o seu contrato de trabalho que expira nesta segunda-feira (2).

Fonte: Club-k.net

Na comunicação, a responsável Luzia Milagre justifica o afastamento do professor Paulo João Faria invocando alegados “incumprimentos das suas obrigações consubstanciado” em supostos “desrespeito a hierarquia”, e “falta de entrega as questões ligadas as suas funções como regente”. A decana atribui ainda ao professor, a uma alegada “forma como ministra a aulas e avalia os estudantes” que no seu ponto de vista gera constantes reclamações por parte destes.

 

Por outro lado, estudantes ouvidos pelo Club-K rejeitam a versão de que João Faria Paulo era mal professor e alegam que a sua “perseguição” e subsequente expulsão por parte da década Luzia Milagre deve-se, por ter feito criticas sobre irregularidades no concurso a promoção a carreira acadêmica.

 

Paulo João Faria e um outro professor Nelson Domingos Antônio escreveram no 24 de Junho, ao Reitor da Universidade Agostinho Neto, Pedro Magalhaes solicitando informações sobre o referido concurso no/GD/FCS-UAN.

 

Paulo João Faria é licenciado em filosofia pela Universidade Católica de Lisboa, mestre em relações internacionais e doutorado em ‘política e governo’ pela Universidade de Kent, no Reino Unido. É igualmente  convidado para conferencias em Universidades em Johanesburgo e Nairóbi. Pelo seu currículo, os alunos entendem, não fazer sentido que Paulo João Faria seja reconhecido por renomadas Universidades a nível internacional, mas apenas a Universidade Agostinho Neto – por via da década Luzia Milagre - que lhe considera ser “mau professor”.

 

Na sequencia do seu afastamento, um outro professor Nelson Domingos pediu demissão, em solidariedade a injustiça contra o colega. Nelson Domingos era professor de Ciências Política (fundamentos) e processos de tomada de decisão. Já, Paulo João Faria lecionava ética e pratica política, teoria das relações internacionais e Estado, Globalização e Desenvolvimento.

DECADÊNCIA DA CIÊNCIA

O polítologo Hitler Samussuku, que passou pelas mãos dos dois acadêmicos, recorreu as redes sócias para passar o seu testamento e explicar o que realmente está acontecer na Universidade Agostinho Neto. Eis o texto:

 

“Agora que os Professores Paulo Conceição Faria e Nelson Domingos não farão mais parte dos quadros universitários que tal alterar o nome da faculdade de Ciências Sociais para Centro Ideológico do MPLA?”

 

“Para quem não sabe a Faculdade de Letras e Ciências Sociais foi criada depois da morte de Jonas Savimbi em 2003. As instalações sediaram na escola ideológica do MPLA no bairro Futungo. Deste modo, a estrutura apodrecida colocou seus quadros formados nas sociedades politicamente atrasadas URSS e CUBA para endurecerem a mente dos aspirantes em Ciências Sociais.”

 

“Na FCS o que há de mais são professores que não percebem metade daquilo que ensinam e pessoas que estudaram em sociedades politicamente avançadas constituem ameaça para os doutores do MPLA. Foi neste âmbito que o Professor Flávio Inocêncio formado na Inglaterra foi dificultado até abandonar a faculdade e agora os professores Paulo Faria e Nelson Domingos foram chumbados por pessoas que nunca escreveram um único artigo científico, por pessoas que são doutores à luz da cor vermelha, amarela e preta com os desígnios comunistas à mistura.”

 

“Soube ainda que a Doutora Eliana do DAAC também foi despedida e o que está na base são os travões que ela colocava às práticas de corrupção e vendas de notas. Passei na Faculdade na sexta-feira, aconselharam-me a não tratar nenhum documento porque não havia previsões de saída porque até agora ninguém substituiu a Doutora Eliane. É triste a realidade vivenciada na FCS. Estudantes do MPLA todos palermas quando não são facilitados por professores rigorosos escrevem para as autoridades afastar os respectivos professores. Já aconteceu com a magnífica Cesaltina Abreu no curso de Sociologia e agora com o Paulo Faria.”

Nota da Diretoria - Solidariedade aos professores demitidos da UAN 

A Associação Brasileira de Ciência Política vem, por meio desta, manifestar sua preocupação com a demissão do professor de Ciência Política, Doutor Paulo C. J. Faria, da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, de Luanda, Angola. Ela foi seguida do pedido de demissão do também professor de Ciência Política, Doutor Nelson Domingos, em protesto à interrupção do contrato do primeiro pela UAN. A demissão, que parece ter sido uma reação à posição pública do professor quanto a procedimentos internos da universidade em concurso público, traz preocupações quanto às garantias para a liberdade de cátedra e de expressão e para os direitos civis em Angola.

 

Os professores Faria e Domingos estão entre os principais cientistas políticos do país e são comprometidos com a produção de conhecimento e a construção democrática em Angola. Domingos é doutor em Ciência Política pelo IESP-UERJ, tendo defendido a tese “Transição pela transação: uma análise da democratização em Angola” sob a orientação da Profª. Thamy Pogrebinschi. Faria é doutor em Ciência Política pela University of Kent, do Reino Unido, publicou o livro "Post-War Angola: Public Sphere, Political Regime and Democracy", entre outros, e é, atualmente, presidente da Associação Angolana de Ciência Política.


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