Luanda - Estou a ler, nas redes sociais, várias denúncias, em vários grupos do WhatsApp, que indicam haver uma "orientação superior" por parte de membros do Bureau Político do MPLA - e fala-se aqui de uma orientação expressa da vice-presidente do MPLA Luísa Damião, uma denúncia que deve ser apurada e responsabilizada - com o sentido de se eleger, fraudulentamente, o senhor Betico, em detrimento do senhor Crispiniano - o candidato alegadamente mais consensual ao cargo de Secretário Nacional da JMPLA.

Fonte: Club-k.net

Outra denúncia foi publicada hoje, 6, no grupo do WhatsApp "Nós Somos Jornalistas", assinada pelo próprio jornalista Ikuma Bamba - actual director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Governo Provincial de Luanda -, a apontar exactamente o que se diz em outros grupos do WhatsApp, reforçando a ideia de que tem havido orientações superiores do Bureau Político do MPLA sem, no entanto, apontar nomes dos falsos moralistas do país, para se coagir delegados, de Cabinda ao Cunene, ao próximo Congresso da JMPLA, a votar em Betico (alegadamente quem não tem trajectória política reconhecida) em desfavor de Crispiniano (alegadamente quem tem mais de 15 anos de trajectória política reconhecida).


Ikuma Bamba diz, na sua comunicação, que as duas candidaturas foram aprovadas pelo Bureau Político "numa reunião dirigida pelo Camarada Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço", pelo que não vê nenhum sentido haver orientação superior para se votar numa em detrimento da outra e apela aos delegados a votarem no candidato com mais trajectória e experiência reconhecida, indo contra as "ordens superiores" do seu partido, um verdadeiro acto de coragem que eu aplaudo e incentivo.


Ajudo a divulgar estas denúncias, como cidadão e jornalista angolano que sou, por entender não ser a primeira vez que ouvimos e lemos haver fraude nas nossas eleições em Angola. Em relação às eleições gerais, é sabido que até hoje se questiona se o actual presidente da República João Lourenço foi ou não eleito com transparência e, caso tenha acontecido, com que percentagem terá ganho. Esta dúvida paira na cabeça de qualquer cidadão angolano, o que nos faz estar expectantes em ver se o actual presidente da República vai ou não mudar a forma e autores que têm realizado as nossas eleições gerais. Será que já temos fraude confirmada? Ou desta vez teremos verdadeiras eleições livres, justas e transparentes? Não falta muito para termos uma resposta.


Se as denúncias supracitadas forem verdadeiras, tudo fica explicado em relação às fraudes que sempre existiram nas nossas eleições gerais, uma vez que, se já tem sido prática haver coação para se votar em uns em detrimento de outros, o meu entendimento é que estes vícios chegam até às eleições gerais, sem nenhuma dúvida. Quem não promove democracia na sua casa não promove democracia na casa dos outros. Quem não promove transparência no seu partido não promove transparência no país. É uma questão de lógica.


Por outro lado, também já li, recentemente nas redes sociais, que, nos congressos do maior partido da oposição, a UNITA, o fenómeno é exactamente o mesmo. O actual secretário-geral da JURA Agostinho Kamuango terá sido "posto" por "orientação superior" de Isaías Samakuva, presidente da UNITA, o que tem estado a criar uma revolta por parte de jovens militantes e simpatizantes da UNITA. Diz-se que uma das metas do novo presidente da UNITA, a ser eleito em Novembro deste ano, é promover um congresso extraordinário para se realizar outras eleições na JURA, até porque Kamuango tem demonstrado na imprensa não estar à altura do cargo.


Com um cenário semelhante a acontecer no maior partido do país, o MPLA, o actual presidente da República e do MPLA João Lourenço e a vice-presidente do MPLA Luísa Damião ficam muito mal na fotografia, naturalmente, sendo, por via disso, uma prova de que o tão propalado combate à corrupção e ao nepostimo não passam de mera conversa para boi dormir.


Eu, por acaso, nunca tive dúvidas de que nós, em Angola, estamos diante de partidos políticos tradicionais (MPLA e UNITA) que, neste aspecto de "eleições", não têm muitas lições de moral a dar aos angolanos. Espero que, a partir de agora, os dois partidos históricos mudem de postura, sob pena de chegarem ao nível da FNLA - representada no Parlamento por apenas um deputado, que é o próprio presidente.

Carlos Alberto (in facebook)
Por Combate a Fraudes Eleitorais
06.10.2019

 



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