Florida - Nos últimos dias, temos notado como os investidores em todo Ocidente estão descartando ativos mais arriscados para refúgios seguros, como títulos do governo, devido à crescente tensão comercial entre a China e os Estados Unidos. Esta tem sido sem duvidas a razão da desacelerando do crescimento global e dos mercados voláteis de commodities, dos quais Angola faz parte. Os atritos comerciais e a fraca demanda global têm gerado uma queda global na produção. Além disso, um Brexit sem acordo - que parece cada vez mais provável - poderia aprofundar muito mais problemas econômicos globais.

Fonte: Club-k.net


Então, por que Angola deveria se preocupar com a economia global? A resposta curta é que, se a economia mundial espirrar, o frio atual da nossa economia, poderá rapidamente se transformar em um ataque severo da gripe para Angola e até para o continente todo.


Para observadores atentos, já é visível que o crescimento econômico mundial está diminuindo no momento em que a dívida pública permanece alta em Angola e em todo o mundo, mesmo com as mudanças demográficas e os avanços tecnológicos que estão remodelando a economia global. Como resultado, as oportunidades para uma boa educação, um bom emprego e assistência médica continuam dependendo amplamente das opções de impostos e gastos que os governos fazem hoje ao responder a esses desafios em evolução. Será que a proposta do OGE 2020 responderá ou vai acautelar esses riscos?


Para tal, temos aqui compilado como contribuição, cinco (5) premissas, que deverão concentrar-se em cinco oportunidades de crescimento que podem gerar um crescimento significativo do produto interno bruto (PIB), e criar empregos e estimular um crescente sentimento positivo de perspetivas futuras em Angola. Estas propostas, podemos assim dizer; reforçam-se mutuamente.


Cada uma das oportunidades propostas aqui, contribuirão tanto para o crescimento do PIB quanto para a criação de empregos, e sua implementação bem-sucedida beneficiará muitos outros setores da economia nacional. Todos eles dependerão de dois fatores essenciais para a construção de uma força de trabalho qualificada em Angola por meio de uma expansão dramática do treinamento profissional e do estabelecimento de uma verdadeira parceria de desenvolvimento entre o atual Executivo e empresas privadas.


Desde o princípio, vamos aqui assumir que a implementação destas recomendações, (se caso alguém na equipa económica prestasse atenção) poderão representar um enorme desafio para a própria equipa económica do Governo.


Acima de tudo, está o requisito claro de que o governo e as empresas, devem encontrar novas maneiras de trabalhar em conjunto, principalmente para transformar o sistema de habilidades da economia nacional para garantir que ela seja realmente orientada pela demanda e para atender às necessidades das indústrias de alto crescimento como a industrial transformadora que ainda é infantil.

Aqui vão:

1. Maximização do uso do Gás natural

A escassez de eletricidade em Angola, tem restringido o crescimento económico e apesar da nova capacidade das barragens de Lauca, Capanda e Cambambe. O deficit de fornecimento continua patente. Neste caso, as usinas de gás natural - que são rápidas de construir, e que acarretam baixos custos de capital e têm baixa pegada de carbono – poderiam fornecer uma alternativa para diversificar a fonte de fornecimento de energia a nível nacional. Com a necessária segurança regulatória, estimamos que Angola bem podia instalar algumas usinas a gás para diversificar a capacidade de carga básica. No nosso caso, o gás não precisará ser importado, este poderá ser fornecido através do projeto Angola LNG no Soyo, o que seria uma mais-valia para a economia.

2. Massiva transformação agrícola


Com o aumento do consumo nos mercados nacional, e na SADC, Angola, poderia duplicar suas exportações de alguns produtos nacionais tais como café, mandioca, peixe, carne bovina, sal, milho, fuba, tubérculos, etc. Esse poderá ser um fator essencial do crescimento rural, beneficiando quase um em cada cinco angolanos que dependem da subsistência ou da agricultura familiar. Capturar esse potencial exigirá um ousado plano nacional no sector da agricultura para aumentar a produção, a produtividade e o processamento dos respetivos produtos. Temos quadros habilitados em Angola que podem tornar esta proposta em realidade.


3. Exportações de serviços

Angola ainda não possui uma indústrias de serviços altamente desenvolvidas, mas atualmente no sector dos petróleos, diamantes, gás, pescas, pedras ornamentais e cimenteiro, o pais poderia muito bem capturar mais 2% do mercado restante só na SDAC. Com os investimentos certos, as empresas de serviços poderiam aumentar as exportações para a região; e o governo pode ajudar promovendo acordos comerciais regionais. Por exemplo na área da construção, as oportunidades variam por projeto, mas angola pode competir. Nos serviços financeiros, as áreas promissoras de crescimento incluem bancos, seguros e varejo.

4. Fabricação industrial avançada

Angola já possui muita mão-de-obra qualificada para competir com muitos centros de fabricação globalmente competitivos. Basta estar-se focado em categorias de alto valor agregado, como o sector automotivo, fabrico de máquinas, equipamentos industriais e produtos químicos e alimentares. Para aproveitar essas oportunidades, no entanto, os futuros fabricantes angolanos, terão que buscar novos mercados, aumentar a inovação e a produtividade. Isso é possível porque hoje em Africa, o Egipto, a Nigéria e Africa do Sul já dominam estes sectores de fabricação industrial.

5. Produtividade das infraestruturas existentes

Angola tem investindo pesadamente em infraestruturas, tais como Estradas, Aeroportos, Ferrovias, Portos e Pontes. Mas ainda existem grandes lacunas em termos de fornecimento de eletricidade, água e saneamento básico. Ao criar uma verdadeira parceria, os setores público e privado, podem juntos, conduzir estratégias possíveis, para tornar os gastos em infraestrutura mais produtivos. Por exemplo fazer o máximo uso dos ativos existentes e aumentar a manutenção; priorizar os projetos com maior impacto; e fortalecer as práticas de gerenciamento para otimizar entregas dos produtos finais para o mercado ou agentes económicos. Aqui refiro-me aos nossos aeroportos, caminhos-de-ferro, portos e ate estradas.


Finalmente, podemos aqui vaticinar que o cumprimento bem-sucedido dessas prioridades, certamente aproximarão Angola a realização de sua visão de longa data de uma nação próspera caracterizada por prosperidade compartilhada por todos. Mas primeiro, o país precisará adotar algumas mudanças fundamentais param se tornar mais competitivo globalmente.


Como não deixaria de referir, a Estratégia Angola 2025 estabelece como objetivo estratégico o desenvolvimento harmonioso do território nacional através de uma distribuição espacial equilibrada das atividades econômicas e sociais. Portando, os investimentos nos setores aqui focados, têm inevitavelmente um impacto territorial beneplácito.

Florida, 6 de Novembro, 2019

 



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