Luanda - O presidente da UNITA considera que a responsabilidade dos problemas de Angola não pertence só ao ex-presidente José Eduardo dos Santos, devendo ser partilhada com outros dirigentes do MPLA como o atual presidente João Lourenço.

Fonte: Lusa

"Os conflitos que existem hoje entre a liderança atual do pais e a anterior tem consequências para nós todos, mas não penso que não há responsabilidades partilhadas", declarou Adalberto da Costa Júnior em entrevista à Agência Lusa.


"A postura hoje é de que os problemas que existem são todos do [ex-presidente José Eduardo] dos Santos e sua família. [Isso] não é verdade, quem governa hoje tinha grandes responsabilidades ontem, não foram responsabilidades de curto prazo, foram responsabilidades de 30 e 40 anos na estrutura de governação e em lugares estratégicos", criticou.


Deu como exemplo o Presidente da República, que foi vice-presidente da Assembleia Nacional, ministro da Defesa, de secretário-geral do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), de secretário da Informação e membro permanente do Bureau Político, a estrutura de topo da tomada de decisões estratégicas


"Não é possível um desvinculo de responsabilidade de uma pessoa que ocupou sempre um cargo de chefia estratégica", atirou, acrescentando que "a equipa que governa, é a mesma equipa que governou com dos Santos".


E questionou: "estão mal, não fazem parte dos milionários que beneficiaram desta gestão de Dos Santos? Pergunto-me se abdicaram das acumulações extraordinárias de capitais".


O líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) diz que "nenhum angolano tem dúvidas de que o combate à corrupção e direcionado" e adiantou que "quanto mais perto da família dos Santos se está mais risco há de ir parar aos tribunais", uma prática que "não abona em temos de credibilidade do regime e não traz ganhos na luta contra a corrupção" que não tem trazido os devidos retornos para o erário público.


A título ilustrativo, apontou os casos de Augusto Tomás, ex-ministro dos Transportes, "cuja prisão não resultou em benefícios para o Estado", bem como o do Fundo Soberano (gerido pelo empresário Jean-Claude Bastos de Morais e pelo filho do antigo presidente angolano, Zenu dos Santos, que aguarda ainda julgamento), cujo valor seria de 5,7 mil milhões de dólares, sendo a quantia assumida pelo Estado de apenas metade.


"E o resto?", perguntou, dizendo que este dinheiro não deve ser confundido com o repatriamento de capitais, já que estava depositado em bancos de vários países.


"Não há um kwanza, um dólar, que tenha vindo para o Orçamento Geral do Estado resultante de investimentos e de lucros do Fundo Soberano", denunciou o dirigente do Galo Negro, questionando como é que o Estado, "sem qualquer benefício, perdoa determinado gestor e o deixa ficar com lucros extremamente elevados", numa alusão ao processo de Jean-Claude Bastos de Morais.


O empresário suíço-angolano, presidente e fundador da Quantum Global, empresa que geria os activos do Fundo Soberano de Angola, do qual foi presidente José Filomeno ('Zenu') dos Santos, que estava acusado de vários crimes, nomeadamente o de associação criminosa, de recebimento indevido de vantagem, corrupção e participação económica em negócios, foi colocado em liberdade depois de chegar a um acordo com as autoridades angolanas.

 



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