Luanda - O que seria do Budismo sem Buda? Do Cristianismo sem Cristo? Da Igreja Universal sem Macedo? Do Papa sem a igreja Católica? Provavelmente são questões que se não levadas numa introspecção minuciosa, as suas respostas pouco analisadas beijariam o pavimento do ridículo.

Fonte: Club-k.net

A primeira vez que me questionei sobre uma barbaridade social política estava nos meus imberbes dias entre a infância e a vida adulta. Uma resposta ríspida dos meus progenitores e de adultos comprometidos com o silêncio prendado responderam-me sem a melodia de Waldemar Bastos que se impõe: “Xé menino não fala política”. Hoje agradeço o tempo porque o menino já se foi e nunca tive tanta vontade de ser adulto como tenho no hodierno.

 

Jogos computarizados têm níveis e a cada nível superado as coisas ficam mais difíceis.

 

Há 48 meses para cá quem ousaria questionar-se sobre uma Angola sem J.E.S(US)? Parece irónico mas era neste pedestal político-religioso que os fiéis J.E.Suítas portavam-se. O todo-poderoso, omnipresente, omnisciente e cheio de bondade financeira e com laivos azáfamos para com uma parte do seu povo, que muitos nem ousavam indagar-se sobre as benesses descomunalmente exageradas e se as mesmas estavam ou não a tirar o pão de outras bocas, dos esquecidos no mapa nacional, dos filhos adoptivos da sexta-feira 13. Hoje temos poucos médicos comprometidos com a Saúde, professores que vagueiam com a bandeira “SANDINGA” do estou pouco me lixando para com a educação e o estado desta Nação que se assiste em camarote hospitalar para quem ainda lhe deixaram a chance de ver para além dos olhos biológicos. Quer queiramos quer não são todos frutos podres da árvore da corrupção.

 

“Neste combate a corrupção os seus detratores deveriam ter o mínimo de sensatez porque a principal vítima disto tudo é povo”; palavras ditas com sinónimos aloucados no espaço provavelmente certo pela sua excelência Cda. João Lourenço, que já não me recordo se nas vestes de Presidente da República ou do Partido majoritário.

 

A tentativa camuflada de refazimento da história em Angola que estamos a viver hoje me tem causado uma comichão neural desproporcional. Já se vê nos grandes ciclos de movimentação de massas do partido no poder o dilapidar de uma imagem até então venerada em quase todos os ciclos do país. O homem que segura a imagem dos presidentes do MPLA, acredito que por puro patriotismo partidário, só mostra o do Fundador da Nação e do actual presidente. Quero crer que é simplesmente por ter apenas dois braços. Dos cartões de militante também já não faz parte o rosto do deus político. Parece que a política do mesmo é apenas estar presente a cara de cada presidente. Se a lei eleitoral vigorar como atesta a CR, de 10 em 10 anos, que corresponde 2 mandatos (salvo algum erro de pouco conhecimento jurídico) serão novamente actualizados os cartões.

 

Uma outra pergunta que não se quer calar: Como estão os J.E.Suítas se sentido com o apagar da memória da imagem do deus deles do kuanza? Um homem que muito fez, segundo se diz nos grandes ciclos históricos pelo país porque até então foi o único que segundo uns nervosos (des)governou o país até a pole position da corrupção no campeonato africano continental. Será apenas um refazer da história normal como em tudo ou mesmo uma tentativa de esvaecer a imagem do arquitecto da Paz, Comandante em chefe e Sua Excelência de todos os momentos incluindo inaugurações desnecessárias?

 

Hoje vivemos um desencontrar de intenções governamentais. Uns querem arranjar, outros insistem em manter estragado porque ainda conseguem ver um “biolo” básico para sustentação dos vícios conseguidos naqueles 38 anos. E nós o povo então? Vamos continuar a não ser tidos nem achados? Não não não... Claro que seremos achados: Em 2022 para pintar o dedo “de novo novamente again e outra vez”.

 

Dói-me dizer isso mas se há algum ou muito sofrimento neste país somos parte causadores do mesmo. Somos, acredito, os únicos filhos da sexta-feira 13.

 



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