Luanda - O presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, acredita que o Estado e a Justiça angolana não pretendem prejudicar as empresas do país com o arresto de bens da empresária Isabel dos Santos.

Fonte: Lusa

"O tribunal foi suficientemente claro, daquilo que eu vi, que as responsabilidades são cometidas aos conselhos de administração", disse José Severino, à Lusa, numa conversa telefónica.


O responsável da AIA acrescentou: "São empresas, todas elas, salvo minha perceção errada, que não têm uma condução unipessoal. Claro que um presidente do conselho de administração tem sempre um papel muito importante, mas as empresas têm funcionado e eu acho que isso interessa às duas partes. Tanto a parte que é considerada devedora, como ao próprio Estado".

José Severino considera que, por isso, não devem estar em causa cortes salariais.

"O importante é que elas funcionem e que continuem a produzir riqueza, que os seus trabalhadores se sintam tranquilos e não tenhamos aqui um projeto de stress transversal. E é isso que foi lançado no arresto, no processo", defendeu o presidente da AIA, notando que "o que interessa é que as empresas funcionem, garantam os serviços, continuem a ser contribuintes fiscais".

 

Para José Severino, a decisão judicial é "um processo natural".

 

"Se o Estado se sente lesado naquilo que presume serem cerca de 1,1 mil milhões de dólares, [é natural que] tente recuperar esses valores, e fá-lo pela via mais apropriada, que são os tribunais", apontou.

 

Para o responsável da associação industrial, este arresto, que "não é o primeiro" em Angola, toma proporções mais mediáticas "pelo valor e por quem está envolvido".

 

Ao mesmo tempo, José Severino assinalou que "nem o Governo nem os tribunais querem que o Estado fique com mais empresas".

 

"Nós estamos com um processo de acabar com a presença do Estado na economia", vincou.

 

José Severino reforçou que "os tribunais funcionam" e que "a procuradoria recorreu, perante aquilo que investigou", tendo ainda afirmado que "a sociedade está tranquila".

 

"O processo demonstra que os tribunais estão a fazer o seu melhor para que tenhamos um Estado pleno de direito e de justiça", concluiu o dirigente da AIA.

 

O Tribunal Provincial de Luanda anunciou em 30 de dezembro que decretou o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais a filha do antigo Presidente angolano detém participações sociais.

 

Em Portugal, Isabel dos Santos detém participações em setores como a energia (Galp e Efacec), telecomunicações (NOS) e banca (EuroBic).

 

A decisão do tribunal realça o papel crucial desempenhado por José Eduardo dos Santos no negócio de diamantes da filha e do seu marido, Sindaka Dokolo.

 

No despacho-sentença refere-se que em audiência de produção de prova, ouvidas as testemunhas, resultou provado, entre outros factos, que, em agosto de 2010, o executivo angolano, chefiado por José Eduardo dos Santos, decidiu comercializar diamantes angolanos no exterior do país.

 

Na sequência do anúncio da decisão do tribunal, a empresária afirmou que nunca foi notificada ou ouvida no âmbito no inquérito que levou ao arresto das suas contas em Angola, negando as acusações em que é visada num processo que afirma ser "politicamente motivado".

 



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