Luanda - "A corrupção em Angola é uma coisa generalizada e envolve a cúpula do Estado e a cúpula do MPLA", disse esta segunda-feira Carlos Rosado, o único jornalista angolano que faz parte do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) que trouxe a lume o dossier "Luanda Leaks, defendendo que "agora é preciso puxar o fio do novelo".

Fonte: NJ

Para Carlos Rosado, o problema da corrupção não começa nem acaba na família dos Santos", mas o dossier Luanda Leaks, que põe a nu o percurso da filha do ex-Presidente e a forma como se tornou a mulher mais rica de África, revelando, nomeadamente, a forma como a filha do ex-Chefe de Estado José Eduardo dos Santos transferiu, enquanto Presidente do Conselho de Administração da Sonangol, pelo menos 115 milhões de dólares de fundos públicos para o Dubai, pode "marcar o início de um novo paradigma".



"Eu não sou daqueles que considera que haja uma perseguição selectiva. Tínhamos de começar por algum lado e entendo que se comece por Isabel dos Santos, que é mais mediática, agora, as autoridades judiciais devem alargar o âmbito das investigações a outros sectores e a outras personalidades", avançou o também economista em declarações ao NJOnline.


Carlos Rosado lembrou que "a corrupção em Angola é uma coisa generalizada", defendendo que as autoridades angolanas não podem ficar pela antiga família presidencial".


Rosado, que considera que o MPLA só tem a ganhar se vencer esta luta contra a corrupção, sentencia que, "se nada fizer, o partido não tem hipóteses de sobreviver".


"O primeiro impacto destas notícias é mau, mas é uma oportunidade. Não apenas em relação a Isabel dos Santos, mas no geral. A oportunidade de mostrar que no País já não há impunidade. As autoridades devem aproveitar este palco", defende o jornalista, lembrando que Angola precisa de investimento estrangeiro".


A ICIJ, que reuniu mais de 700 mil ficheiros agregados neste já denominado caso "Luanda Leaks", tem revelado os esquemas que permitiram a Isabel dos Santos juntar uma das maiores fortunas de África. O seu marido Sindika Dokolo, e os seus mais próximos colaboradores, são igualmente referenciados nesta investigação.



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