Lisboa – O Presidente angolano João Manuel Gonçalves Lourenço foi recentemente convidado para participar num casamento (de três dias) ocorrido em Luanda, na passada sexta-feira (14), cujos noivos   são rebentos do tenente-general Leopoldino Fragoso do Nascimento (pai da noiva Denise) e o ex-ministro Antônio Domingos Pitra Costa Neto (pai do noivo Danilo).

Fonte: Club-k.net

Casamentos milionários causam constrangimento 

Segundo apurou o Club-K, um mensageiro do palácio presidencial teria inicialmente confirmado a presença do Presidente João Lourenço no enlace matrimonial mas a realidade provaria o contrario. A familia Lourenço achou por bem não se fazer presente.  

 

As razões da ausência de Lourenço não foram apresentadas as famílias que o convidaram, porém, suspeita-se que visou evitar constragimentos devido ao antecedente do casamento da  filha do Presidente da Assembleia Nacional, ocorrido em Outubro de 2019, que foi criticado pela extravagancia e pelos relatos de que teria custado cerca de 2 milhões de dólares americanos.

 

O recém casamento de Denise e Danilo Pitra Costa é refenciado como podendo ter sido maior (em termos de gastos e extravagancia) comparado ao da filha de Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”.

 

O sociólogo e deputado do MPLA, Paulo de Carvalho descreveu que “o espectáculo do copo de água, segundo se diz, ultrapassou o limite atingido pelo casamento de Setembro do ano passado. Demonstra estar a haver uma competição entre a elite novo-riquista, para demonstrar “quem pode mais”.”.



A intenção, segundo Paulo de Carvalho “é fazer crer que temos, entre nós, noivos de outra galáxia, que se encontram muito acima de nós, simples mortais. Noivos de famílias bafejadas pela “sorte do verniz”, nas quais a ostentação do luxo procura ultrapassar a barreira do imaginável.”

 

“Para além de cenógrafos, técnicos de iluminação e pintores que não saem dos bastidores, contrataram-se também directores artísticos e repórteres fotográficos estrangeiros, que não se cansaram de se vergar à passagem da noiva e seus familiares, demonstrando a toda a gente que não temos em Angola profissionais capazes de “assumir o barulho” de tão grande empreitada exibicionista”, escreveu.

 

“Não estamos a defender que os descendentes dos assaltantes deste país não se casem , aliás porque até os filhos serão inocentes, mas com o furacão de processos à vista tanto de recuperação e perda alargado de bens do Estado e os respectivos processos crimes, deveria haver uma certa vergonha na ostentação da riqueza despejada em casamentos faraônicos e luxuoso”, rebate  o analista Junqueira dos Reis que por outro lado critica as congregações religiosas que acolhem estes casamentos. “Até uma certa Igreja, um certo padre atento às necessidades gritantes desta população sofrida deveria resignar em prestar serviço religioso a estás indigências comprometedoras.”

 

Num texto de opinião intitulado “Um casamento e três Cardeais”, a jornalista portuguesa Ana Maria Simões entende que “Se o casamento da filha de 'Nandó' foi uma provocação involuntária, da qual foi cúmplice incauto o Presidente João Lourenço; o casamento da filha do general 'Dino' foi uma provocação assumida, voluntária (também podemos pensar que em ambos os casos não foi uma coisa nem outra, falamos e falámos de dois pais que casam as suas filhas como a dignidade, não tanto com o bom gosto, dos seus cargos e das suas fortunas, só isso). Não, não é nada disso.”

 



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