Lisboa  – Quadros do Comité Provincial do MPLA, em Malanje apelaram ao pronunciamento da Comissão de Disciplina e Auditoria (CDA), em relação a conduta de dois deputados que numa recente reunião de auscultação terão, conforme se alega, se “comportado como se fossem oposição ao governo”.

Fonte: Club-k.net

Acusados de  “estar contra o  governo”

O recurso a Comissão de Disciplina e Auditoria (CDA), começou a ser levantado depois de no passado dia 9 de Março, a província de Malanje ter acolhido uma delegação parlamentar para trabalhos de deputação. Integraram a comitiva ida de Luanda, dois deputados do MPLA, Alfredo Junqueira Dala e Monteiro Pinto Kapunga - que acompanham a referida província - e mais outros dois de partidos opostos.

 

De acordo com fonte do Club-K, durante a reunião os dois deputados do MPLA, Alfredo Junqueira Dala e Monteiro Pinto Kapunga, “afrontaram o governo provincial colocando questões o que deixou o partido dividido e a passar vexame na presença dos deputados da oposição”.

 

“Sendo os dois membros do Comitê Central do MPLA, não deveriam ter comportamento desta natureza por isso pedimos rigor a Comissão de Disciplina e Auditoria no sentido de ouvir estes dois camaradas e haver um pronunciamento da direção central”, pediu a fonte.

 

Alfredo Junqueira Dala foi no passado segundo secretario provincial do MPLA em Malanje e deputado eleito pelo circulo provincial. Presentemente é o coordenador do Grupo Parlamentar da província de Malanje. Já, Monteiro Pinto Kapunga é um quadro natural de Malanje mas que vive a largos anos na capital do país onde se destacou, nas ultimas décadas, como empresário. Nas ultimas duas eleições em Angola foi integrado nas listas de candidato do MPLA.

 

Como empresário, Monteiro Pinto Kapunga partilha interesses econômicos com um irmão do antigo Presidente Eduardo dos Santos. Em Luanda, corre que terá sido por esta via que a certa altura ao tempo da governação de JES, que se assinalaram influencias para a sua projeção como futuro governador de Malanje.

 

Com a mudança de Presidente em Angola, são ainda sentida em Monteiro Pinto Kapunga esperanças de um dia se tornar governador de Malanje, tendo recrutado para si, quadros exonerados pelo actual governador Fernando dos Santos “Kwata Kanawa” criando um ambiente de contestação na província. Para além de quadros exonerados como Osvaldo Naval dos Santos, Monteiro Pinto Kapunga conta no governo provincial apoio de elementos como Nazareth de Carvalho (assessor do GPM), Fernando Cristóvão João (Director da Juventude) e João de Assunção Agostinho (Administrador municipal de Malanje).

 

A oposição declarada que o grupo de Monteiro Pinto Kapunga passou a mover contra o executivo provincial, tem lhe valido criticas e reparos de alegadas instigação desapropriada aos membros do partido.

 

Cinco dias após a saída da delegação parlamentar em Malanje, um grupo de jovens promoveu sábado (14), uma manifestação antigovernamental que no entender de quadros do partido visou “criar instabilidade politica social”. Na província corre que os jovens terão sido instigado por um responsável Fernando Cristóvão João, ligado a Monteiro Pinto Kapunga.

 

Em Fevereiro passado, o administrador municipal de Malanje, João de Assunção Agostinho que passou a identificar-se com Monteiro Pinto Kapunga havia contratado a empresa “PACE”, de um amigo Paulino Agostinho Chicama Eduardo para alegada prestação de serviços a administração municipal. Novamente o caso gerou criticas e denuncias por parte dos militantes alegando que a transportação de actos de trafico de influencia praticado por João de Assunção Agostinho estaria a colidir com as orientações do partido.

 

Em Dezembro de 2018, Monteiro Pinto Kapunga havia criado outro constrangimento aos militantes do MPLA ao fazer defesa, em nome do partido, do surgimento da pena de morte em Angola para crimes violentos. Apesar do índice de violência no país ter aumentado, é percepção dos militantes que o discurso de defesa da pena de morte contrasta com o código penal em Angola, pautado pelo MPLA, e que a oposição política, pode em época de eleições recorrer-se a esta “gaff” para atacar o partido no poder.

 

Há dois anos numa reunião do Comité Provincial do MPLA, em Malanje, o governador Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, nas suas vestes de Primeiro secretário do partido no poder acusou directamente alguns colegas de estarem envolvidos nas escaramuças ocorridas naquela localidade a margem da visita do Vice-Presidente da Republica, a Província. Sem rodeios, Kwata Kanawa acusou Monteiro Kapunga e Junqueira Dala de montarem um complot contra a governação local.

 

Em reação, ficaram conhecidos pronunciamentos do alegado grupo de “sabotagem”, de que o levantamento contra o governador seria para chamada de atenção visto que estavam a entregar a supostos investidores estrangeiros “as grandes obras, os concursos públicos como a entrega de autocarros do ministério dos transportes , e o contrato para limpeza da cidade de Malanje”.

 

Face ao clima de instabilidade, os quadros do partido defendem que a Comissão de Disciplina e Auditoria (CDA), deve se pronunciar e chamar os responsáveis da alegada “promoção de instabilidade no seio do partido” para a devida sanção como emanam os estatutos do MPLA.


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