Há uma “ligeira” semelhança  entre Angola e Zimbábue

Ambos os países são (ainda) governados por partidos responsaveis pela fundação do Estado e a sua respectiva  soberania. Angola realizou pela primeira vez eleições em 1992. foram  marcadas por  incidentes e desconfianças que desencadeou ao retorno do conflito armado. Presentemente o cenário é diferente e com elementos na acção  externa antes não levados em conta. Um estudo norte americano feito em  1976  por Ernest Harsch, Tony Thomas e Malik Miah   previa  que Angola se tornaria na segunda  potencia econômica no sul da África do Sahara depois da África do Sul. Na altura o Petróleo e o Diamante lideravam o  sector econômico e Angola era o segundo maior produtor de Café em África e o terceiro do Mundo. As exportações para os estados Unidos chegaram a lucrar 206 milhões de Dólares no ano de 1973.

No pos – paz, Angola estabilizou a  economia de que goza o estatuto de “uma das economias que mais cresce” (a ultima edição da prestigiada Newafrican Magazine, edição 474 cita o protagonismo econômico angolano e lamenta o ocidente de a ignorar). Tem atraído investidores internacionais. foi a semana passada alcunhada por um jornal australiano como “potencia petrolífera  regional”. É uma das principais peça de  influencia de estabilidade junto aos seus vizinhos. Depois da África do Sul, passou a ser a “segunda figura” na Região Austral. Esses dados  acrescidos aos depoimentos dos dirigentes  indicam que na presente fase, Angola esta interessada na sua projeção externa de forma a ser vista como exemplo em África. Reposição de um cenário idêntico ao que acontece no Zimbábue estaria  a atentar contra si, contra os seus  propósitos.

Angola pretende que as próximas eleições sejam exemplo universal segundo o  líder parlamentar do MPLA. Quadros seniores  do partido no poder demitiram-se do discurso que apresentava a UNITA como elemento “exclusivamente” responsável pela  destruição do pais e pelo atraso das obras do governo. Os violentos discursos deram resultado imprevisto. Fez nascer dentro da sociedade civil  uma corrente de solidariedade  favorável a  UNITA. Verificou-se um recuo e num comício  no Huambo o membro do BP João Lourenço apareceu com um atraente discurso substituindo a retórica de linguagem violenta dos seus colegas e que são  equiparadas a de Didymus Mutasa, secretario da organização da Zanu-PF e Ministro da segurança de Mugabe.

Há sinais que pronunciam falta de confiança e distanciamento de Angola ao regime de Mugabe. Funcionários  da embaixada angolana em Harare retiram-se discretamente quando o clima eleitoral fica tenso. Conselheiros de segurança disponibilizados para assessorar Mugabe foram orientados a regressar a Luanda. O depoimento, esta semana, de um diplomata angolano colocado na SADC  Manuel Gomes Santos ao Jornal sul africano “Mail Guardian”  negando  apoio do governo angolano  a Mugabe é revelador que Luanda não é simpática as colagens que lhe são feitas ao regime de Robert Mugabe. Angola não quer que o seu processo eleitoral seja associada ao do Zimbábue nem ao passado de 92. Exemplo é a recusa que faz dos casos de incidentes de intolerância política no interior do pais protagonizados por militantes das principais forças políticas no poder. O Governo, na voz do  Ministro Leal Ngongo chegou a negar publicamente associando a problemas de caracter social.

O regime de Mugabe  não da sinais de ter, no plano externo, as mesmas ambições que Angola. Atitudes dos dirigentes da Zanu-PF evidenciam que também não estão interessados em salvaguardar a  imagem do pais. A economia ficou imersa desde 2000. Apresenta-se com  a maior taxa de inflação do planeta. Os investidores deixaram de ter confiança. Usam métodos de violência perversos. Há dez anos atrás agentes dos serviços de segurança entraram num prédio e queriam atirar do décimo  andar o não menos conhecido dirigente sindical Morgan Tsvangirai. Os governantes, com destaque os de idade avançada enveredam por linguagem baixa, em fase de campanha eleitoral. Nas eleições de 2002 o vice Ministro dos Negócios estrangeiro Abednico Ncube fez um comício em Matabeleland ameaçando a população: “Se derem valor ao governo, não passarão fome, mas não queremos gente que vota nos colonialistas e depois vêem conosco a pedir comida. Não podem votar no MDC e depois esperar que a ZANU-PF...antes que o governo comece a rever o vosso direito a esta ajuda alimentar”. Já naquela altura não havia clima para eleições livres e justas. Os populares afecto a Zanu foram aliciados. Prometeram lhes terras gratuitas e algumas bicicletas. Numa área de influencia do MDC alguns populares foram barbaramente maltrados.  arrancaram as nádegas de um Senhor a chicotada usando uma vergastada de pele de rinoceronte. Quando um jornal independente publicou as fotos do homem com as partes da ferida o editor foi preso por “obscenidade”.

Respeitante a imprensa, há uma “ligeira” semelhança  a Angola. Os jornais no Zimbábue tratam  com parcialidade os assuntos da oposição. Servem para promover abertamente a Zanu e denegrir os dirigentes do  MDC. A comunidade internacional vê a media estatal de ambos paises como voz do Governo. Quando o único diário publico em Angola escreveu editoriais contra  Isaias Samakuva, o  Presidente da UNITA, a media portuguesa retomou os repúdios como posição do governo angolano. Em ambos paises os órgãos de imprensa  do Estado não disfarçam preferência aos respectivos partidos no poder .Alguns jornalistas da imprensa privada (Graça Campos e Wiliam Tonet) respondem por processos criminais dando azo a leituras de asfixia desta classe. Um respeitado dirigente do Sindicato dos Jornalistas, Siona Casimiro, alertou contra «o risco de se manchar o país com uma nova cruzada contra a liberdade de imprensa.»

Os dirigentes do MDC no Zimbábue tem acesso restrito para fazer comícios. No caso angolano existem duas províncias, Moxico e Cunene cujos governadores são conhecidos pela negação partidária diferentes a sua. Uma reportagem feita pelo jornalista Dani Costa do Semanário Angolense denuncia que durante a visita do líder da oposição angolana I. Samakuva houve deselegâncias na receptação no aeroporto  de Ondjiva e na cidade do Namibe.

Outra similaridade é a rotina em alterar as leis. Roberto Mugabe mexe nas leis sempre que lhe é favoravel. Em 1993 Masiyiwa Mosyiwa, um engenheiro regressado da Inglaterra  pretendia abrir uma rede de telefonia móvel, a Econet. Os advogados informaram que não havia nenhuma lei que impedisse  Mosyiwa ir em frente. Cumpriu  todos requisitos mas foi surpreendido. O Presidente R Mugabe manteve informado e aprovou um decreto que bania operações privadas de telemoveis e com direito a dois anos de cadeia para quem violasse. O pecado de Mosyiwa foi por ser apartidario. O jovem  levou o caso a justiça e o tribunal deu lhe razão. Naquele mesmo período surgiu uma empresa idêntica, a Telecel de um sobrinho de Mugabe. A telecel não cumpria os requisitos legais mas funcionou normalmente. Um dos sócios era amigo do marido da Ministra das telecomunicações. Em 1999 houve remodelação governamental e a  Econet de Masiyiwa voltou a ter licença para operar. Por outro lado mostrou que os tribunais no Zimbábue ainda funcionam. É  uma das poucas instituições que não sofre interferência da Zanu-PF, o poder político. 

O MPLA que lidera o governo em Angola é mais diplomatico. A poucos meses a lei eleitoral foi alterada no sentido de os resultados serem publicamente divulgados depois de 15 dias. Na  ultima semana o partido no poder  manifestou a intenção de mudar a lei eleitoral para votação em dois dias. A idéia  faz sentido e vai de acordo com a realidade angolana. Mas aqui no exterior a imagem que flui  é diferente. São visto como pessoas que mudam as leis sempre que pretendem retirar alguma vantagem para si.

No Zimbábue um dos principais problemas que desencadeou aos incidentes que ocorrem foram as diferenças nos resultados dos escrutínios. O MDC fez contagem paralela. Os resultados foram  ao desencontro dos publicados pela  comissão eleitoral zimbábuena  (ZEC). Experiência idêntica  aconteceu nas segundas eleições multiparidarias em Moçambique. A RENAMO anunciou  vitória em 6 das 11 províncias. Os resultados da CNE de  Moçambique mostrou o contrario.  reclamaram fraude. Instalou-se na altura uma clima de tensão mas que seria arrefecido. Em Angola receia-se que venha a surgir essas desconfianças. É provável que a oposição  siga o caminho das congêneres dos paises africanos em fazer contagem paralela.

Portanto é aqui comungado a observação feita pelas as organizações da sociedade civil angolana (AJPD e CCDH), dando conta que “as experiências do processo eleitoral naquele país  são diferentes do processo angolano, mas que é necessário aprender com os erros dos outros.”

Fonte: Club-k.net/ Angolense



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