Respondendo aos jornalistas depois da leitura da declaração de vitória nas legislativas, pelo vice-presidente, Pitra Neto, o porta voz do MPLA, Norberto dos Santos "Kawata Kanawa", fez a comparação com a Europa, onde as vitórias alargadas não conduzem a regressos dos partidos únicos, garantindo que "em Angola também será assim".

"Quando estas vitórias alargadas acontecem na Europa não se volta ao partido único, em Angola será a mesma coisa. Vamos continuar a respeitar a opinião dos outros partidos com assento no Parlamento, desde que elas contribuam para a reconciliação nacional, reconstrução e o desenvolvimento do país", assegurou.

Norberto dos Santos afirmou ainda que "é preciso não diferenciar as democracias da Europa e noutras partes do mundo, das democracias em África".

Perante a insistência dos jornalistas, questionado mesmo se pode ser aplicado em Angola o modelo chinês e como se vai coadunar a democracia com tão abrangente domínio da Assembleia Nacional pelo MPLA, "Kwata Kanawa" repetiu a ideia de que "ma Europa também é assim. Em todo mundo é assim, há partidos que conseguem 50 por cento ou 80 por cento e a democracia mantém-se. Aqui vai ser a mesma coisa".

Questionado ainda sobre se o MPLA, perante esta avassaladora vitória eleitoral, já está a preparar as eleições presidenciais de 2009, "Kwata Kanawa" disse que essa matéria vai ser tratada no Comité Central do MPLA, embora tenha assumido recentemente à Lusa que o actual chefe de Estado e presidente do partido, José Eduardo dos Santos, é o candidato natural do partido.

"Durante este período vamos ter uma agenda que contempla a tomada de posse dos deputados, a tomada de posse do Governo, a elaboração do programa de Governo... e vamos abordar a questão das presidenciais, entre outros assuntos, no comité central", disse.

"Kwata Kanawa" lembrou que em Angola não há tradição de candidatos independentes, embora pense que estes "vão aparecer".

"Aqui são os partidos que propõem os candidatos. Um candidato que tenha uma sustentação de um partido como o MPLA, naturalmente que não vai temer que possa perder", disse.

Mas pode fazer temer os outros eventuais candidatos? "Não. Foram eleições legislativas, agora vêm as presidenciais e os partidos irão apresentar os seus candidatos", respondeu.

O porta-voz afirmou ainda que a questão da elaboração de uma nova Constituição é uma das "principais tarefas" do MPLA para a próxima legislatura, que deverá arrancar em Outubro.

Norberto dos Santos acrescentou que na anterior legislatura a elaboração de uma nova Constituição estava em curso e foi a oposição que pediu para que esta tivesse lugar depois das eleições legislativas.

"Noventa e oito por cento - do texto constitucional - já estava preparado. A oposição é que pediu que fosse depois das eleições. Vamos retomar agora o texto, vamos discutir. O texto tinha participação da oposição e agora vai continuar a discussão no novo Parlamento", disse.

O porta-voz confirmou ainda que o MPLA deu instruções às suas estruturas provinciais para que os festejos da vitória nas legislativas sejam contidos de forma a evitar excessos.

"As nossas indicações é que não haja actos políticos de massas, os comités locais vão fazer pequenas festas. Cada província encontrará o seu modelo para festejar dentro das orientações do partido", disse.


Fonte: Lusa/Fim



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