Luanda - O Rapper e Activista Social Dionísio Casimiro “Carbono” faleceu esta tarde, em Luanda, depois de três dias de internamento na Unidade dos cuidados intensivos na Clínica Girassol. Carbono contava com 36 anos de idade e segundo fontes familiares, o mesmo esteve a apresentar problemas a nível da medula que estava a  comprometer o seu  sistema imunológico.

Fonte: Club-k.net

Em 2011 acusou o Gen. Zé Maria de forjar um julgamento contra si 

Até ontem,  os médicos declaravam que não podiam fazer muito e recomendavam a  evacuação de emergência  do ativista o que motivou com que a sua esposa  Morena Morais de Brito Casimiro   lançasse  uma campanha de apoio a  favor do  malogrado ativista.

 

“Venho em meu nome e da minha família comunicar o passamento físico do meu irmão Dionísio Carbono Casimiro. Agradeço a todas as pessoas que connosco lutaram e fizeram o possível e o impossível, mas prevaleceu a vontade de Deus em o ter por perto mais cedo”, lê-se numa mensagem escrita pela sua irmã adiantando que “Peço que lá de cima olhe por nós e nos dê luz para continuar porque de certo sem ele será quase impossível.”

 

Dionísio Casimiro “Carbono” notabilizou-se como ativista depois de Março de 2011, ter desencadeando manifestações pela retirada ao poder do ex- Presidente José Eduardo dos Santos e foi varias vezes agredido e detido pelo antigo regime.

 

Em Setembro de 2011, participou numa manifestação anti regime, onde foi levado e violentado pela Polícia Nacional que o arrastou  para uma viatura e de seguida  levado para parte incerta. Ficou-se depois a saber que o ativista e o seu grupo foram detidos para um  julgamento sumario por realizarem manifestação. Em repulsa a esta injustiça, um dirigente da UNITA, Alcibiades Kopumi foi também preso quando solidarizava-se com os jovens do grupo de “Carbono” Casimiro que estavam a ser julgados pelo Tribunal Municipal da Ingombota, a mando do general José Maria.

 


Ao sair da prisão foi questionado pelo Club-K sobre apreciação que fazia do julgamento pelo que respondeu "O julgamento foi à base de mentiras que a polícia inventou. A polícia e o tribunal criaram uma façanha para sermos julgados e condenados a todo custo, sem sequer levar em consideração a nossa defesa. Primeiro é que, os nossos advogados não tiveram acessos aos nossos depoimentos antes do julgamento. Eles (os advogados) tinham que ter acesso ao processo, por outro lado, e por outro, tinham que ter contactos com conosco. Está acção descrevia a pura violação do processo jurídico angolano e a vontade de um determinado grupo de pessoas, que alguns dizem ser general José Maria."

 

A reportagem do Club-K, detalhava que "A decisão do Juiz Simão Adão, em condenar os manifestantes a prisão máxima de três meses, foi baseada em pressões exercita ao mesmo. Na sexta-feira (09), o general José Maria deslocou-se ao tribunal da policia na Maianga onde decorria o julgamento, e logo após a sua chegada, o juiz Simão Adão pediu licença para sair da sala da audiência. O magistrado regressou perturbado e tencionava alterar a acusação contra as vitimas mas seria travado pela defesa, até mais tarde ter recebido um telefonema que coincidiu com a hora que deu por terminado o julgamento. Na segunda (12), o juiz reiterou a posição, em alterar a acusação contra os jovens. Deixou de os julgar por suposta agressão aos policias (por falta de provas), passando os manifestantes a serem condenados, em última hora, por residência as autoridades policias."

 

Em Janeiro de 2012, Carbono Casimiro denunciou que “Dois indivíduos desconhecidos abordaram um rapaz em frente ao meu portão perguntando-lhe se conhecia o Carbono. O rapaz, inocente, respondeu que sim e de seguida chamou-me, pois eu não me encontrava muito distante do portão que dá pra rua, fui ter com as pessoas que procuravam saber de mim, deparo-me com os dois senhores, tendo um deles apresentando-se como Correia. Começaram com uma conversa bastante estranha, que me deu logo a entender que não vinham com boas intenções. Usaram o pretexto de querer saber sobre um panfleto qualquer que anunciava emprego, algo meio confuso. Decidi despachá-los.”

 

“Eles, meio envergonhados, foram para uma direcção que não era bem a deles e fingiam estar a procura de alguma informação. De seguida entrei em casa, peguei a câmara e furtivamente comecei a fotografá-los.” Carbono contava que “Eles por sua vez, subiram no carro Toyota 4Runner de matricula LD-83-81-CA e não satisfeitos, davam voltas na rua atrás de mais informações, até que ganharam coragem e começaram a fotografar a entrada da minha casa. O seu real objectivo com essa incursão, ficou por perceber. Partilho isto convosco, pois, no caso de algo me acontecer (batam na madeira), já terão um ponto de partida para as investigações”.

 

Neste mesmo ano Carbono foi uma das vozes que emprestou a sua voz pedindo esclarecimento ao regime pelo desaparecimento de dois ativistas Isaías Cassule e Alves Kamulingue, que mais tarde ficou-se a saber que havia sido executados pela Policia Nacional em parceria com um general Filomeno Peres, braço direito do general António José Maria.

 

Em 2015, Quando o general José Maria e o então procurador João Maria de Sousa planearam prender um grupo de ativistas a pretexto de prepararem um falso golpe de Estado, o malogrado não foi vitima dos dois generais mas entretanto, o regime através da Angop procurou insinuar que o mesmo havia se exilado na Embaixada norte americana em Angola.

 

Dia seguinte Carbono reagiu dizendo estar afastado das lides do activismo cívico por questões pessoais. Entretanto denunciou que agentes da polícia angolana estavam em sua casa a recolher todo o material informático que lhe pertencia pelo que considerou tratar-se de um abuso de autoridade, mas não lhe tinha chegado qualquer notificação a justificar a mesma.

 

A redação do Club-K apresenta sentimentos de pesar a família

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