Luanda - Intervenção do deputado Lukamba Gato, na sessão plenária de hoje 19/12/19 a respeito da autorização legislativa para que o BNA emita nova familia de notas em Kwanzas:

Fonte: Club-k.net

''Excelência, Senhor Presidente da Assembleia Nacional,
Ilustres representantes do titular do Poder Executivo,
Excelentissimo Sr. Governador do Banco Nacional de Angola
Caros colegas, eleitos pelo povo,
Minhas senhoras e meus senhores

O titular do poder executivo solicitou à Assembleia Nacional a autorização para que o BNA possa emitir uma nova série de notas com valor facial de 200, 500, 1000, 2000,5000 e 10.000 Kwanzas a partir de 2020.


Na fundamentação, o proponente evoca a necessidade de garantir uma melhor qualidade da moeda em circulação, maior durabilidade e outras que possam inferir.


Esta solicitação acontece num momento em que o país vive uma profunda crise económica e social e não devíamos criar a falsa expectativa de que essa medida visa por si só melhorar o desempenho da economia nacional. Pelo contrário, esta operação tem custos elevados, que no contexto actual nos obriga a avaliar com cuidado os parâmetros custos, benefícios e oportunidade.


Devo lembrar que na história do nosso país esse exercício já foi experimentado N vezes e o resultado tem sido invariavelmente o mesmo: o crescimento da taxa de inflação.


Afinal o que é o dinheiro! O dinheiro é apenas o meio usado na troca de bens, serviços, força de trabalho, divisas estrangeiras ou demais transacções comerciais.


Há pouco menos de 15 dias, o Senhor Secretário de Estado da Economia anunciou que o Estado Angolano gastou de Janeiro a Outubro de 2019 mais de 1.3 mil milhões de USD na importação de produtos da cesta básica.


Então, havendo novas iniciativas que sejam no sector produtivo: é chegado o momento de quebrarmos efectiva e definitivamente com a perigosa e onerosa cultura de importação do que comemos. Não temos o direito de esbanjar os recursos do petróleo para comprar comida. Isso é crime contra as futuras gerações. Usemos bem os nossos 35 milhões de hectares de terra fértil e generosa bem como a abundante rede hidrográfica para produzirmos arroz, batata, milho, feijão, açúcar, oleaginosas, frango, porco, cabrito, etc.


Não tenho nada contra os megaprojectos agro-industriais. Eles são bem-vindos pois podem contribuir também para o crescimento da produção nacional.


Venho mais uma vez aproveitar esta ocasião para advogar que se invista massivamente na agricultura familiar pois ela é decisiva na luta contra a fome, a pobreza e contra a importação de alimentos básicos.


Substituir a enxada tradicional por uma charrua de tração animal e a respectiva junta de bois é uma operação de pouco menos de 500.000 (Quinhentos mil Kwanzas) por família mas com grande impacto tanto nas comunidades rurais, como no mercado.


As ligações intercomunais e intermunicipais para escoar a produção passam pelo melhoramento da rede secundária e terciária das nossas estradas do interior do país. Não estamos a falar de asfaltar pois isto teria custos muito elevados. O que se propõe é a utilização de materiais locais como a laterite que podem ser uma solução tecnicamente fiável e financeiramente viável. Foi com esse agregado que as autoridades coloniais pavimentaram as estradas que usaram para fazer face aos efeitos da guerra colonial. Muitas dessas estradas estão ainda em condições, mais de 50 anos depois.


Essa rede de estradas estimulará os nossos agricultores e os nossos camponeses enclavados no interior do país com um grande potencial para a produção agrícola, e sem possibilidade de escoar.
Excelência Senhor Presidente,


Quero deixar aqui e hoje, a minha reflexão no sentido de não persistirmos na prática de pagarmos, agora com novas notas, produtos alimentares que continuarão a vir de Portugal, Argentina, África do Sul, e de outros países, quando podemos produzir e consumir nacional, beneficiando também o nosso povo que sempre trabalhou e produziu riqueza para este país.''


Muito obrigada pela vossa atenção.

 



DEBATE NAS REDES SOCIAIS:




DEBATE NO ANÓNIMATO: