Luanda - A África assumiu um lugar relevante e estratégico na política externa dos Estados Unidos da América e na definição dos interesses que visam o seu desenvolvimento multifacetado. Esta mudança reflecte um contraste com à prática anterior dos Estados Unidos da América.

Fonte: Club-k.net

Na semana finda, assistimos a visita ao nosso País do Secretário de Estado americano, comportando uma agenda rica e abordando questões transversais com as nossas autoridades, que incidiu substancialmente sobre a segurança, comércio, finanças, energia, saúde, privatizações, melhoria do ambiente de negócio, e o tão propalado combate a corrupção que mereceu aplausos junto desta entidade, no qual cito “durante os seus primeiros dois anos e meio de mandato João Lourenço fez um excelente trabalho para tornar a corrupção num fantasma do passado. Aumentou a transparência, obrigou as instituições financeiras a limpar os seus balanços e perseguiu os maus actores. Estou optimista que continuará a libertar Angola da corrupção.”


As reformas sectórias em curso a nível nacional, congregando os procedimentos de transparência nos contratos públicos, na gestão das finanças públicas, poderão possibilitar os investidores estrangeiros, principalmente, investimentos americanos fora do sector petrolífero e a possibilidade de linhas de financiamento para investimentos em sectores chaves da economia local.

 

Nos últimos anos o Governo Americano, tem promovido uma cooperação mais aprofundada com os países Africanos, a partir da importação e a exportação de produtos, realizando intercâmbios frequentes no comércio, turismo e cultura.

 

Desde a última Cúpula Empresarial EUA-África em 2017, a administração dos EUA e os governos africanos demonstraram um compromisso renovado com o desenvolvimento de iniciativas e políticas favoráveis aos negócios que promovem maior engajamento económico.


Para o alcance deste desiderato e por forma a intensificar as relações económicas e comerciais com os países africanos, o Governo americano desenvolveu a iniciativa “PROSPER AFRICA”, que congrega diversas instituições americanas como a Corporação de Investimento Privado no Exterior (OPIC) e a Corporação de Desafio do Milénio (MCC) e contempla um orçamento de 50 bilhões de dólares e vai fornecer ajuda técnica a companhias americanas que estejam a tentar entrar e/ou crescer no mercado africano.


Esta nova plataforma, assenta em quatro pilares fundamentais, nomeadamente, investimento para o continente Africano de forma geral, investimento específico para a Lei de Crescimento e Oportunidade para África (AGOA), promoção de exportações reciprocas, incentivo aos jovens empresários em África, e o desenvolvimento de acções que visam construir cadeias de valor em África, com vista a estimular a competitividade entre as empresas em África.


Esta nova linha de abordagem para África, visa libertar a dependência destes países, na aquisição de financiamentos chinês, contrapor a visibilidade dos investimentos chineses em África, suplantar sua preponderância e seu poder de influência sobre estes países, face a disputa hegemónica para a manutenção de status quo no quadro das relações internacionais.


Muitas leituras podem ser realizadas da visita de Pompeo a Luanda, mas num aspecto poucas dúvidas devem existir: se queremos beneficiar de investidores estrangeiros de confiança é premente a prossecução de acções que incidem sobre a boa governação, transparência, direitos humanos, melhoria do ambiente de negócio e a credibilidade do sistema de justiça.


Estas acções proporcionariam a confiança aos investidores estrangeiros, desencadeando o efeito spill over junto de outros investidores, permitindo desta forma a tão augurada entrada de capital estrangeiro, proporcionando assim uma economia equilibrada e competitiva.

Bem haja.

Luanda 20 de Fevereiro de 2020.

Terêncio António, Docente Universitário.



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