Luanda - É aproximadamente lógico partir da inferência de que alguns Angolanos, principalmente, formados em ciências sociais, que são chamados, privilegiadamente, em programas de Tvs, rádios e conferências etc., pensam que análise política significa, somente, observar os fenómenos políticos ou saber o que acontece no mundo, e com ideias válidas, susceptíveis de serem lógicas, comentar. Pois, entre comentar e analisar; a Ciência Política dá-nos uma resposta credível, que não pode ser ignorada e despercebida pelos cidadãos, cientistas sociais, burocratas, agentes políticos e productores de programas ou jornalistas.

Fonte: Club-k.net

Numa abordagem sempre incompleta pretende-se por este meio encaminhar para haver compreensão da posição dos analistas sociais e políticos face a análise dos problemas e fenómenos sociais totais que decorrem no sistema político. Deste modo, é importante que se observe a criação da seguinte figura para melhor elucidação sobre como deve ser estruturada e feita a análise dos problemas e fenómenos em um programa de TV ou em outros locais análogos, com perspectivas académicas:


Embora seja oportuno haver um só indivíduo a fazer análise de um determinado fenómeno com lucidez na TV, a figura remete-nos que num debate televisivo, “e não só”, é importante não monopolizar o programa a um só especialista, se se tratar de um tema multidisciplinar, porque a prática da figura “em cada programa” significa posicionar a valorizar as ciências sociais nomotéticas, que preservam a unidade social, debruçando-se num só fenómeno total, com implicações e diferentes dimensões do real- social (Sedas Nunes, 2005).

 


A menção exposta pressupõe que numa mesa ou debate os analistas diferenciam- se porque cada ciência tem o seu objeto de estudo ou fim dos problemas em análise, sem descurar os métodos e técnicas de pesquisa. Deste modo, se num debate o tema em análise é CUMPRIMENTO DAS DEMANDAS DOS CIDADÃOS, olhando pelas máximas de Augusto Conte, Georges Gurvitch e Marcel Mauss sobre a unida e pluralidade das ciências sociais tal como foram observados por Sedas Nunes (2005), estamos em condições para dizer que se trata de um único tema social, e susceptível de ser abordado na perspectiva jurídica pelo Jurista, económica pelo Economista, sociológica pelo Sociólogo, psicológica pelo Psicólogo e politológica pelo Politólogo.


Esta realidade, dificilmente acontece em Angola, pois, tem-se observado que em alguns programas de Tvs (da Zimbo, Palanca TV, TPA 1, Rádio Nacional, Despertar, LAC, Eclésia e Cairós etc), inexistem o esquema que propomos, inexistem a diversidade de análise social assente na ciência. O que mais se observa é a posição de pessoas convidadas por conveniência em determinados programas, fazendo comentários dos fenómenos políticos e económicos do país, e equivocadamente, alguns são chamados de analistas políticos, mesmo se posicionando como comentadores. Por isso, é importante para o desenvolvimento da opinião pública responder as seguintes questões: O que é análise política? Quem é analista político e quem é comentador?


Análise Política e Ciência Política

Robert Dahl enfatiza em sua obra «Análise Política Moderna» que a Ciência Política é uma Ciência expandida na américa nos anos 1950 pelos politicólogos ou Cientistas Políticos, que se encarregam, naturalmente, em estudar a análise Política e as suas quatro orientações (Dahl, 1988). Isto é, a partir das questões como posso agir para melhorar esta situação? Como distinguir o melhor do pior ou em que consistiria melhorá-la? Como acontece as coisas no mundo? E como defini-las e distingui-las tal como definir a guerra e distinguir outras formas de violência, concebe-se as seguintes orientações de análise:


1) Orientação Empírica;
2) Orientação normativa;
3) Orientação Semântica e;
4) Definição das Políticas a seguir (Dahl, 1988; e Miguel Bembe, 2018).

As quatro orientações inter-relacionam-se, significa que:


A análise empírica procura alcançar o conhecimento do que é; a orientação normativa, o conhecimento do que deve ser; e a orientação com respeito às políticas a seguir, o conhecimento de como chegar do que é ao que deve ser. Esta afirmativa é exata. Contudo, seria um erro acreditar que cada orientação busca conhecimento de um tipo completamente independente dos outros (Dahl, 1988: 24).


Compreende-se por análise das políticas a combinação das orientações empíricas e normativas (o que é e o que deveria ser). A orientação semântica é a que ajuda o analista político elucidar significados das palavras. Por exemplo, se disser que os governos devem gerar eudaimonia aos cidadãos, tem que elucidar a clarear que eudaimonia é uma palavra que Aristóteles empregara na sua obra «Ética a Nicômaco», e significa felicidade ou bem-estar. Outrossim, se o foco do tema for demanda é preponderante dizer o que significa demanda à luz da representação política. Estas orientações podem ser praticadas pelos cientistas sociais, conforme evidenciado na figura I, mas é importante asseverar que análise política lida com poder, governo e autoridade (Dahl, 1988), que são objetos de estudo da Ciência Política. Significa que “a análise política constitui, sem dúvida, uma dimensão importante da Ciência Política” (Bembe, 2018:12). Ou seja, considera-se uma disciplina, holisticamente, académica da Ciência Política, porque visa observar, interpretar e compreender os fenómenos políticos à luz dos critérios científicos.


Não obstante, aproximadamente, ser lógico chamar, somente, Analista Político a um indivíduo formado em Ciência Política, não significa que os Sociólogos, Juristas, Economistas e Psicólogos não podem fazer análise política no sistema social. Pois, “a política pressupõe uma grande variedade de instituições” (Dahl, 1988), significa que todos podem estudar e analisar a mesma instituição, mas, particularmente o Politólogo ocupar-se-á dos problemas relacionados ao poder, governo e autoridade. Enquanto o economista ocupar-se-á com a utilização dos recursos escassos etc.


Portanto, como disse Miguel Bembe, nem todo comentador é analista político, mas todo analista político é comentador (Bembe, 2018). O comentador é um indivíduo que, eventualmente, pode ser formado em uma academia, pode ser um político, um militante de partido político, um activista cívico, burocrata ou cidadão, cabendo-lhe dar opinião sobre o que observa e constata acerca da política, pois, é caracterizado como um cidadão inescapável as abordagens científicas porque dá uma opinião ou um comentário

pessoal, passível de ser válido e lógico. Difere do analista político, porque este, para além de dar uma opinião “como comentador” susceptível de ser válida e lógica, é caracterizado como especialista de análise à luz dos critérios científicos, e tem a responsabilidade de, graficamente e oralmente, fazer análise consistente a nível institucional, do processo de decisão e da perspectiva sistémica, de modo a dar uma resposta de retórica aos problemas da vida política, não obstante direcionar e prospectivar soluções aos policys markers. Em fim, tem a responsabilidade de não se deixar iludir pelo acesso as médias e outros meios de análise, devendo despir-se da especulação e advinha dos factos e, simplesmente, dotar-se e demonstrar racionalidade, objectividade ou neutralidade e sistematicidade na análise política [...].


* Dorivaldo Manuel “Dorival” Estudante Finalista de Ciência Política, na Universidade Agostinho Neto, FCS 2015-2018. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.


BEMBE, Miguel. (2018). Documento de apoio da unidade curricular: análise política I – perspectiva interna. 4o Ano. Universidade Agostinho Neto, Faculdade de Ciências Sociais, Departamento de Ciência Política (1-122). Angola. DAHL, Robert Alan. (1988). Análise Política Moderna. Brasília: Universidade de Brasília.
NUNES, Sedas A. (2005). Questões preliminares sobre as ciências sociais. Lisboa: Editora presença.



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