Luanda -- O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) criou um centro de quarentena para a covid-19, no assentamento do Lóvua, onde se encontram mais de 6.000 refugiados da República Democrática do Congo (RDCongo).

Fonte: Lusa

Segundo a chefe da Área de Relações Externas do ACNUR em Angola, Juliana Ghazi, apesar de não ter sido registado nenhum caso suspeito do novo coronavírus, como medida preventiva, foi criado um centro de quarentena e estão a ser formados trabalhadores da comunidade para a triagem de casos.

"Estamos a estabelecer ainda mais medidas para que se consiga evitar que a covid-19 chegue ao assentamento, a gente não tem nenhum caso registado ainda e esperamos que continue assim", acrescentou.

Juliana Ghazi, que falava hoje em declarações à agência Lusa, frisou que foram ampliadas as clínicas do campo do Lóvua, na província angolana da Lunda Norte, para a triagem de casos.

O ACNUR conta com apoio de parceiros, nomeadamente os Médicos do Mundo, para realizar formações para os trabalhadores da comunidade sobre a covid-19, relativamente à prevenção e processo de triagem para doenças respiratórias.

"Temos clínicas que funcionam diariamente no assentamento, então temos feito formação sobre triagem, [para que] se algum refugiado precisar de algum auxílio e tiver alguma doença respiratória [saiba] como identificar os casos. Também construímos uma clínica de quarentena para qualquer refugiado e familiar que esteja com suspeita de coronavírus", disse a responsável.

Juliana Ghazi referiu que está a ser providenciada uma ambulância para alguma necessidade de encaminhamento para o Dundo, capital da Lunda Norte, ou para Luanda, bem como material de proteção, nomeadamente máscaras e luvas.

"Tínhamos algum na clínica, mas não o suficiente para atender esta emergência, estamos a pedir mais, tanto aos parceiros locais quanto às agências da ONU, para conseguirmos levar para o assentamento o quanto antes", frisou.

Na província de Luanda, capital de Angola, onde se encontram perto de 45.000 refugiados (30.000) e requerentes de asilo (15.000), decorre também um processo de sensibilização.

"Não temos refugiados só na Lunda Norte, também temos nas áreas urbanas. Aqui em Luanda temos feito sensibilização com os refugiados nos centros que atendemos em Viana e Bairro Popular, para a prevenção da covid-19, para a lavagem das mãos e todas as medidas de prevenção para evitar contaminação", referiu.

Juliana Ghazi admitiu que, em Luanda, "é um pouco mais difícil" a sensibilização, porque há também refugiados em áreas fora do controlo da organização.

"Mas estamos sempre a fazer campanhas e agora ainda mais para chegarem aos refugiados informações pertinentes", disse.

Em Luanda, disse ainda, foram realizadas sessões com parceiros, lideradas por peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS), nas quais foi entregue material informativo que está a ser passado aos refugiados.

"Também construímos novos pontos de água, com baldes de torneira, sabonete, para que eles estejam sempre a lavar as mãos e se prevenirem", referiu Juliana Ghazi.

Angola regista atualmente oito casos positivos de infeção pelo novo coronavírus, entre os quais dois morreram.

O número de mortes em África subiu para pelo menos 209 num universo de mais de 5.940 casos confirmados em 49 países, de acordo com as estatísticas sobre a doença no continente.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 940 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 47 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 180.000 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

 

 



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