Italia - Para termos uma ideia concreta dos primeiros efeitos do Coronavírus na economia mundial, é necessário estabelecer-se, a prior, a relevância económica tanto da cidade chinesa de Wuhan (de onde começou), quanto da região italiana de Lombardia (com mais casos em toda a Itália).

Fonte: www.ilgeopolitico.org

Wuhan e Milão, cidades metropolitanas

Em termos demográficos, tanto Wuhan, quanto Milão são duas capitais metropolitanas, com uma população estimada em 11 milhões e 8 milhões de habitantes, respectivamente. Wuhan, ao que consta, é a mais populosa cidade no centro-leste da China, enquanto que Milão é a mais populosa de toda a Itália.

 

Wuhan, um hub multisectorial

A cidade de Wuhan é para muitos considerada um dos laboratórios das políticas económicas do governo chinês, um dos principais destinos dos IDEs naquele país, e centro operativo e produtivo de importantes empresas multinacionais nos sectores automobilístico e tecnológico, para além de ser uma incubadora de inúmeras Start-ups. Conta ainda com vários centros de pesquisa e desenvolvimento (R&D). Graças a isso, Wuhan foi considerada como Cidade Criativa de 2017 pela UNESCO. Em 2018 produziu um PIB de cerca de 23 mil milhões de dólares, sendo a 5a entre as 61 cidades municipais chinesas em termos de riqueza produzida.

 

Milão, centro financeiro

Já Milão é o centro financeiro da Itália, sendo por isso a cidade que mais atrai investimentos directos internos e estrangeiros, num percentual superior a média nacional italiana, isto é, 9,7% contra 4,6% nos últimos cinco anos. O seu PIB é de 200 bilhões de euros, o que a torna a quarta cidade europeia em termos de riqueza, atrás de Londres (antes de Brexit), Paris e a região de Vestifália.


Cidades símbolos da globalização

Estas duas cidades são não só motores das economias dos seus respectivos países, mas também símbolos da economia globalizada, por estarem entre os principais hubs financeiros, tecnológicos e comerciais do mundo. Naturalmente, por causa do Coronavírus, os efeitos negativos na sua economia local e naquela nacional não poderiam ter efeitos mais devastadores .

 

Efeitos na economia italiana e europeia

Na Itália, as regiões de Lombardia, de cuja capital é Milão, de Veneto e de Emília Romagna, em conjunto, produzem cerca de 50% do PIB italiano. Neste momento, por serem as mais afectadas pelo COVID19, os seus estabelecimentos comerciais e produtivos reduziram as suas actividades económicas significativamente. Segundo uma pesquisa feita pela Confindustria, as duas primeiras regiões afirmaram ter registado um impacto negativo em torno dos 71%. A OCDE prevê que a economia italiana cresça 0% neste ano como consequência desta pandemia.


Não obstante um crescimento positivo de últimos dias, as principais bolsas europeias tiveram perdas acumuladas superiores a 10% desde o início do Coronavírus. Na semana finda, os pronunciamentos da presidente do BCE, C. Lagarde, relativamente ao aumento do Spread Italiano, segundo os quais não é função do banco europeu a redução do Spread, provocaram o desfecho em negativo da bolsa de Milão em -16,9%, a de Francoforte e Paris em -12% e a de Londres em -10,9%. Daí que se espera que os principais países membros da UE venham a adoptar pacotes financeiros de estímulo às suas economias e ao relançamento da Zona Euro.

 

Efeitos na economia chinesa

Na China, a OCDE prevê que o crescimento da economia passe dos 5,7% previstos em Novembro de 2019, para 4,9%, como consequência do encerramento das fábricas e da quarentena não só em Wuhan, como nas outras cidades do país. Este desfecho comportou a redução da actividade industrial em cerca de 15%.

 


Efeitos na economia estado-unidense

Para Austan Goolsbee, de NYT, o Coronavírus poderá inclusive terá maior impacto na economia dos EUA mais do que na chinesa, já que, na sua óptica, em termos de indústria de serviços, as economias com rendimentos elevados tendem a sofrer muito mais do que a chinesa, o qual prevê ainda que a economia mundial entre em recessão económica nos próximos meses. A OCDE prevê um uma desaceleração da economia estado-unidense de 2% para 1,9% em 2020.

 

Consequências na economia africana

O continente africano, não obstante continuar a ser a segunda região que regista um crescimento económico positivo regular desde 2008 (depois da Ásia), estimado em 4% para este ano, este crescimento tem como motor o sector petrolífero, que é sujeito a choques externos. Isto é, uma instabilidade internacional provoca, quase sempre, uma oscilação do preço para cima ou para baixo, dependendo da redução ou do aumento da demanda desta commodity.


Nesta óptica, por causa do fecho das fábricas na China, maior importador do petróleo do mundo, a OPEC solicitou aos seus membros, inclusive a Rússia, a redução da produção petrolífera, de modos a manter estáveis os preços da commodity no mercado internacional. Todavia, a Rússia, desta vez, não acedeu ao pedido da Arabia Saudita que, por sua vez, respondeu com aumento da produção interna, tendo consequentemente inundado o mercado com uma liquidez petrolífera jamais visto nos últimos anos. Essa situação de excesso de oferta da commodity levou a redução do preço de barril em cerca de 30%, a maioria redução desde a guerra de Kuwait, em 1991.


Naturalmente, países como Angola, ressentirão os efeitos desta redução do preço de barril do petróleo e obrigará a revisão do OGE, ou então, à uma maior contenção de gastos públicos, ou mesmo a ulteriores endividamentos externos, ou aumento da base tributária interna.


Seja como for, os efeitos do Coronavírus na economia africana serão mínimos, se considerarmos que, de um lado, participa em cerca de 3% nas transações comerciais mundiais, o que equivale a cada vez menos impacto na sua economia em momentos como estes.


De outro lado, revela que a economia do continente, não obstante possuir um mercado de 1,3 bilhões de consumidores, tem enormes desafios pela frente. A Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) poderá ser um bom começo, desde que sejam ultrapassadas as diferenças em políticas monetárias e fiscais entre as inúmeras zonas económicas regionais, e se adopte uma moeda única continental. Porém, a problemática do Eco na CEDEAO pode ser tido como a primeira demonstração dos desafios a enfrentar até à entrada em pleno funzionamento da Zona de Livre Comércio Continental Africana.

 

Custos da perda para a economia mundial

No cômputo geral, prevê-se que o crescimento da economia mundial passe para 1,5% em 2020, contra os 3% previstos num cenário antes da eclosão do Coronavírus. O custo total das perdas económicas mundiais, segundo a Bloomberg, poderão ser calculados em mais de 2.7 trilhões de dólares.

 



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