Luanda - Muitos serão aqueles militantes do partido no poder que se divorciaram das orientações do partido, manchando a sua reputação, por estarem muito focados nas oportunidades conferidas pela condição de militante, que promoveu toda a sorte de desvios à norma política. O actual momento é de reflexão e de inversão das práticas negativas, que retiram ao partido no poder todo um passado de glória e de prestígio. Tudo isso aconteceu porquê?

Fonte: Club-k.net

Porque para eles a militância é apenas um percurso para chegar ao prazer material da vida, fácil de se conceber, pela entrada nos meandros do poder para chegar ao topo do bem estar e o resto seja o que Deus quiser.


Desenganem-se aqueles que assim actuam e pensam. O MPLA, que assumiu o poder num contexto de conflito, de grande incerteza e de tentativa de balcanização do nosso país, soube sempre encontrar soluções para os momentos difíceis que vivemos até ao alcance da nossa independência.


A primeira estratégia foi enraizar-se na defesa do povo, mobilizá-lo para as principais tarefas patrióticas, tal como reza o seu hino. A segunda foi engajar esse mesmo povo na ingente tarefa da defesa territorial e a vitória e a razão estiveram sempre do seu lado.


A independência foi proclamada debaixo de fogo, no Largo Primeiro de Maio, como dizem os mais velhos e a escassa literatura que encontramos nas nossas pobres bibliotecas e nalgumas publicações da época, entre elas, jornais e revistas confirmam isso. E é aí que encontramos a razão deste interessante tema.


Somos ricos em cultura, mas pobres em literacia, que é aquela arte de perceber e interpretar os fenómenos da nossa história enquanto seres dotados de capacidades intelectuais.


Muitos angolanos ainda não perceberam o contexto em que estamos inseridos, politicamente falando, em que os ideais defendidos pelo partido que tornou Angola independente, a 11 de Novembro de 1975 e se manteve firme até à instauração da paz em 2002, foram desvirtuados por uma conduta reprovável, denunciada a tempo, pelo Presidente João Lourenço, abrindo uma nova era, na forma correcta, como se deve governar o país.


Angola é um país que se defendeu a ferro e fogo das ameaças externas e fez opções de desenvolvimento, possíveis na altura, no âmbito da guerra fria e sobreviveu à pressão das grandes potências e não tinha como optar por outros caminhos, que não fossem garantir a sua soberania, ameaçada de norte a sul, pela sua opção socialista, na altura.


Socialismo esse que se manifestou anos depois, incoerente com a estrutura de base capitalista , herdada do período colonial. E que motivou anos depois, o regresso à economia de mercado, com os erros e deficiências conhecidas, pelo próprio partido no poder.


Foi a necessidade de sobrevivência aliada à vontade popular que fez do MPLA, na força representativa de um país, cujo povo aspirou sempre à liberdade, à independência nacional.


Ao assumir as rédeas da República, o Presidente João Lourenço apresentou ao país um plano, de inversão, totalmente avesso aos interesses daqueles que caíram no reino de Sodoma e Gomorra, transformando o país num espaço onde num estalar de dedos se podia mudar o brilho do sol.


Falou e disse em praça pública aquilo que muitos não queriam ouvir. Quebrar as lianas da corrupção, da apropriação indevida dos bens públicos, enfim de toda uma série de práticas impróprias de uma organização como o MPLA, que sempre lutou pela defesa dos mais desfavorecidos, pela educação, pela saúde e cultura.


Hoje o país vive momentos de espectativa e encoraja o Presidente a prosseguir com o seu plano de reformas, sem vacilar, desmanchando o crime institucional organizado, abençoado por critérios e valores que sempre combateu enquanto partido de nobres tradições, caíndo numa total inversão de valores políticos, que deitaram por terra todo o passado glorioso da sua conduta revolucionária. O MPLA caíu na real e fez mea culpa.

No seu currículum constava o que sempre condenou. Na sua lista de interesses constavam empresários criados em 24 horas, com investimentos externos à custa do erário publico, dinheiro do petróleo desviado em paraísos fiscais, criaram-se famílias empresariais, intelectuais alinhados ao lifestyle político de então, fora das normas definidas pelo partido de nobres tradições, como o MPLA, que gere hoje os custos da sua banalização política.

Pois que continuam os desafios da depuração da máquina infestada pelos vícios da corrupção, que a seguir à guerra e à pobreza social, o desemprego, constituem os principais problemas que o partido maioritário enfrenta neste momento e do qual depende igualmente o seu futuro como organização de vanguarda e de tradição universal.

Em Angola, o MPLA conta com a simpatia, até da oposição, nesta batalha, que consiste em corrigir o que está mal e melhorar o que está bem. Vamos a isso, na luta que continua e a caminho da vitória que é certa!


ANDRÉ PINTO

 



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